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Módulo clínico · Neurologia · Semiologia topográfica

Semiologia e síndromes neurológicas

Exame neurológico completo, um método reprodutível para topografar lesões e as síndromes que você precisa reconhecer no plantão e na prova. Cada achado é lido como uma coordenada no neuroeixo; a combinação deles aponta o nível, o lado e a via.

córtexsubcortical / tálamo / núcleos da basetronco encefálicocerebelomedularaiz / plexo / nervojunção neuromuscularmúsculodifuso / funcional
PúblicoClínica médica, UTI, emergência, R3 e TEMI
UsoBeira do leito, revisão e treino ativo
FerramentasLocalizador, afasias, paralisia facial, via óptica, quiz, flashcards
StatusEm revisão médica · v1.1.3 · 08/09/2026
Prévia educacional em revisão médicaUse as ferramentas com casos de estudo. Sinais agudos exigem avaliação imediata e protocolo institucional; nenhum resultado confirma diagnóstico ou exclui emergência. Revisão documental assistida em 05/09/2026; revisão humana especializada pendente.
S01 · Fundamentos

Método de topografia lesional

Duas perguntas em ordem fixa: onde (topografia) e só depois o quê (etiologia). Quem inverte a ordem pede exame de imagem errado, no lugar errado.

Os cinco passos

PassoPerguntaComo responder
1. SistemaQual via está doente: motora, sensitiva, cerebelar, nervos cranianos, cognição, autonômica?Inventário dos achados positivos e dos negativos relevantes (o que está poupado importa tanto quanto o que está lesado).
2. NívelCentral ou periférico? Se central: supratentorial, tronco ou medula? Se periférico: raiz, plexo, nervo, junção ou músculo?Sinais de 1º neurônio (UMN) vs 2º neurônio (LMN); sinais corticais; sinais cruzados; nível sensitivo; distribuição (hemicorpo, dermátomo, bota-luva, proximal, distal).
3. LadoA lesão é ipsi ou contralateral aos achados?Regras de cruzamento: piramidal cruza no bulbo; espinotalâmico cruza 1–2 segmentos acima da entrada; cordão posterior cruza no bulbo; cerebelo é ipsilateral; nervos cranianos são ipsilaterais à lesão de tronco.
4. Lesão única?Um só ponto explica tudo?Se sim, é o diagnóstico topográfico. Se não: multifocal (EM, vasculite, metástases, êmbolos) ou difuso (encefalopatia, polineuropatia, miopatia).
5. TempoComo se instalou e como evolui?Súbito = vascular; segundos–minutos = ictal/sincopal; horas–dias = infeccioso/inflamatório/metabólico; semanas–meses = neoplásico/compressivo; meses–anos = degenerativo; flutuante = JNM/funcional/metabólico.

Os sete níveis do neuroeixo e a assinatura de cada um

NívelAssinatura semiológicaAchados que pedem outra explicação
CórtexSinais corticais: afasia, negligência, apraxia, agnosia, hemianopsia/quadrantanopsia, crise focal, perda sensitiva cortical, desvio conjugado do olhar, déficit desproporcionado (braquiofacial ou crural).Nível sensitivo; sinais cruzados; déficit em dermátomo.
Subcortical (cápsula, tálamo, núcleos da base)Hemiparesia proporcionada (face = braço = perna) sem sinais corticais; hemianestesia de todas as modalidades (tálamo); movimentos anormais (núcleos da base).Sinais corticais exuberantes tornam uma lacuna motora pura menos provável; afasia e negligência podem ocorrer em lesões talâmicas/subcorticais.
TroncoSinais cruzados: nervo craniano ipsilateral + via longa contralateral; vertigem, diplopia, disartria, disfagia, Horner, alterações de olhar conjugado e INO.Sinais corticais.
CerebeloAtaxia ipsilateral (apendicular = hemisfério; tronco/marcha = vérmis), dismetria, disdiadococinesia, tremor de intenção, nistagmo, fala escandida, hipotonia. Sem fraqueza.Fraqueza verdadeira, hiperreflexia, perda sensitiva.
MedulaNível sensitivo; para/tetraparesia; esfíncteres; UMN abaixo e LMN no nível; face poupada; dissociações (Brown-Séquard, siringomielia, cordão anterior/posterior).Nervos cranianos, afasia, campo visual.
Raiz / plexo / nervoLMN: hipo/arreflexia, atrofia, fasciculações, hipotonia; distribuição em dermátomo/miótomo (raiz), multirradicular num membro (plexo), território de um nervo (mono), bota-luva (polineuropatia). Dor radicular.Babinski, hiperreflexia, nível sensitivo.
Junção / MúsculoFraqueza sem alteração sensitiva: fatigável, ocular e bulbar (JNM); proximal, simétrica, com CK (miopatia). Reflexos preservados (JNM, miopatia inicial) ou reduzidos (LEMS, miopatia avançada).Qualquer déficit sensitivo, Babinski.

Primeiro neurônio versus segundo neurônio

Achado1º neurônio (UMN)2º neurônio (LMN)
DistribuiçãoPadrão piramidal: extensores do MS e flexores/dorsiflexores do MI; hemicorpo ou abaixo de um nívelMiótomo, nervo, ou distal/proximal simétrico
TônusEspasticidade (velocidade-dependente, canivete)Hipotonia / flacidez
ReflexosExaltados, clônus, difusão de área reflexógenaDiminuídos ou abolidos
Cutâneo-plantarBabinskiFlexor ou indiferente
TrofismoSem atrofia (apenas por desuso, tardia)Atrofia precoce e marcada
FasciculaçõesAusentesPresentes (corno anterior, raiz)
Cutâneo-abdominaisAbolidos do lado da paresiaPreservados (exceto lesão radicular T7–T12)
Pegadinha
Lesão aguda de UMN pode ser flácida. Hipotonia e hiporreflexia podem preceder espasticidade e hiperreflexia; a evolução varia. Babinski apoia disfunção piramidal quando presente, mas sua ausência não exclui lesão central, inclusive aguda. Não conclua "periférico" por arreflexia num déficit de instalação súbita.

Cortical ou subcortical

Aponta para o córtex

  • Afasia, apraxia, agnosia, negligência, anosognosia
  • Hemianopsia ou quadrantanopsia homônima
  • Crise epiléptica focal
  • Perda sensitiva cortical (grafestesia, estereognosia, extinção) com modalidades primárias preservadas
  • Desvio conjugado do olhar para o lado da lesão
  • Déficit desproporcionado (braquiofacial na ACM, crural na ACA)

Aponta para o subcortical

  • Hemiparesia proporcionada face = braço = perna (cápsula interna, base da ponte)
  • Síndromes lacunares: motora pura, sensitiva pura, sensitivo-motora, hemiparesia atáxica, disartria–mão desajeitada
  • Hemianestesia de todas as modalidades com dor central (tálamo)
  • Movimentos anormais: hemibalismo, coreia, distonia, parkinsonismo
  • Ausência de sinais corticais apesar de déficit extenso

Tempo de instalação: a segunda pergunta

Perfil temporalFamília etiológicaExemplos
Súbito, máximo no inícioVascularAVC isquêmico, hemorragia, trombose venosa (pode ser subagudo)
Segundos a minutos, estereotipado, recorrenteParoxísticoCrise epiléptica, AIT, síncope, aura de enxaqueca (marcha em minutos), VPPB
Horas a poucos diasInfeccioso, inflamatório, tóxico-metabólicoMeningoencefalite, ADEM, encefalopatia hepática/urêmica, hiponatremia, Guillain-Barré (dias)
Dias a semanas, remitente-recorrenteDesmielinizante / autoimuneEsclerose múltipla, NMOSD, encefalite autoimune, vasculite
Semanas a meses, progressivoNeoplásico / compressivo / infeccioso crônicoTumor, abscesso, hematoma subdural crônico, compressão medular, tuberculose, HIV
Meses a anos, lentamente progressivoDegenerativo / hereditário / metabólico crônicoParkinson, ELA, Alzheimer, ataxias hereditárias, polineuropatia diabética
Flutuante ao longo do dia ou com esforçoJunção neuromuscular, metabólico, funcionalMiastenia gravis, hipoglicemia, transtorno neurológico funcional

Regras de ouro do plantão

Sinal cruzado = troncoNervo craniano de um lado e via longa (motora ou sensitiva) do outro só acontecem no tronco encefálico. O nervo craniano marca o nível: III/IV mesencéfalo, V–VIII ponte, IX–XII bulbo.
Nível sensitivo = medulaAté prova em contrário. Ressonância da coluna com urgência quando associado a déficit motor ou esfincteriano; compressão medular é emergência dependente do tempo.
Sinal cortical = hemisférioAfasia, negligência e apraxia favorecem redes hemisféricas, inclusive conexões subcorticais; hemianopsia aponta para via visual retroquiasmática. Lesão isolada de medula ou nervo periférico não explica esse conjunto: considerar extensão ou doença associada.
Fraqueza sem déficit sensitivoPense em corno anterior (ELA, pólio), junção neuromuscular, músculo, ou lesão motora pura (cápsula, base pontina). O sensitivo normal é um achado positivo.
UMN + LMN sem sensitivoDoença do neurônio motor (ELA) — ou mielopatia cervical (LMN no nível, UMN abaixo). Atrofia e fasciculações linguais sugerem acometimento bulbar ou do XII, não explicado por mielopatia cervical isolada; não diagnosticam ELA sozinhas.
Bota e luva = polineuropatiaDependente do comprimento: começa nos pés, costuma avançar proximalmente antes de comprometer as mãos, com variação entre doenças. Nível sensitivo no tronco exige investigar mielopatia, mesmo com padrão distal; neuropatia e mielopatia podem coexistir.
S02 · Fundamentos

Exame neurológico completo

Sequência fixa, sempre a mesma, para que a omissão fique evidente. Cada item abaixo diz como testar e o que o achado localiza.

Checklist do exame

Marque enquanto examina. O progresso fica salvo neste navegador.
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Estado mental e funções corticais superiores

DomínioComo testarAlteração → topografia
Nível de consciênciaResposta a voz, toque e dor; Glasgow (E4 V5 M6) ou FOUR; RASS na UTIRebaixamento = disfunção bihemisférica difusa ou do sistema reticular ativador (tronco superior/diencéfalo). Rebaixamento com sinal focal = lesão estrutural até prova em contrário.
AtençãoMeses do ano ao contrário, span de dígitos (normal ≥ 5 direto), CAM-ICUDesatenção flutuante = delirium (encefalopatia difusa). Atenção é pré-requisito para testar memória e linguagem.
OrientaçãoTempo, espaço, pessoa (perde-se nesta ordem)Difuso; desorientação em pessoa isolada sugere quadro funcional/psiquiátrico.
MemóriaRegistro e evocação de 3 palavras aos 5 min; memória remota; MEEM / MoCAAnterógrada: hipocampo/temporal medial bilateral, tálamo, corpos mamilares (Wernicke-Korsakoff). Confabulação = frontal/diencefálico.
LinguagemFala espontânea (fluência), compreensão (ordens de 1–3 etapas), repetição, nomeação, leitura, escritaHemisfério dominante (esquerdo em ~95% dos destros e ~70% dos canhotos). Ver S03.
PraxiaGestos simbólicos ("acene", "dê tchau"), uso de objeto imaginário, copiar figuras (construtiva), vestir-seIdeomotora: parietal dominante. Construtiva e do vestir: parietal não dominante.
GnosiaReconhecer objetos pelo tato (estereognosia), rostos (prosopagnosia), extinção à dupla estimulaçãoParietal contralateral; prosopagnosia: fusiforme direito/bilateral; negligência: parietal não dominante (direito).
Funções executivasFluência verbal (animais/min, normal ≥ 12–15), sequência de Luria (punho-borda-palma), go/no-go, teste do relógioFrontal dorsolateral. Desinibição: orbitofrontal. Apatia/abulia: frontal medial (cíngulo).
Reflexos primitivosPreensão palmar, palmomentoniano, sucção/snout, glabelar inesgotávelLiberação frontal (bilateral/difusa); preensão unilateral localiza o frontal contralateral.

Nervos cranianos I–XII

NervoFunção / testeLesão: o que apareceLocalização e causas-chave
I OlfatórioCafé, sabão em cada narina (não usar amônia: estimula o V)Anosmia uni ou bilateralFratura da lâmina cribiforme, meningioma do sulco olfatório (Foster Kennedy), COVID, Parkinson precoce
II ÓpticoAcuidade, campos por confrontação, fundoscopia, reflexo fotomotor direto/consensual, teste da lanterna oscilanteAmaurose monocular, escotoma central, DPAR (Marcus Gunn), papiledema, palidez de papilaNeurite óptica (dor à movimentação ocular, discromatopsia), NOIA, compressão. Campo: ver S08.
III OculomotorElevação, adução, depressão (reto superior, medial, inferior, oblíquo inferior), levantador da pálpebra, esfíncter pupilarPtose, olho "para baixo e para fora", midríase (se compressivo), diplopia oblíquaPupila envolvida: investigar compressão/aneurisma urgentemente. Pupila poupada pode ocorrer em microangiopatia, mas não exclui compressão, sobretudo em paresia parcial. III agudo: avaliação urgente e neuroimagem vascular conforme contexto. Mesencéfalo: Weber, Claude, Benedikt.
IV TroclearOblíquo superior: deprime o olho aduzido; inciclotorçãoDiplopia vertical/torcional ao descer escadas e ler; cabeça inclinada para o lado oposto (Bielschowsky)TCE (nervo longo e fino), microvascular, congênito descompensado
V TrigêmeoSensibilidade das 3 divisões, reflexo corneano (aferente V1, eferente VII), masseter/temporal, desvio da mandíbula, reflexo mandibularHipoestesia facial, corneano abolido, mandíbula desvia para o lado da lesão, dor lancinante (neuralgia)Ângulo pontocerebelar, seio cavernoso, ponte; padrão "casca de cebola" = núcleo espinal (bulbo/medula cervical alta). Reflexo mandibular exaltado = pseudobulbar.
VI AbducenteAbduçãoDiplopia horizontal, esotropia, pior ao olhar para o lado da lesãoHipertensão intracraniana (falso localizatório), microvascular, ponte (Millard-Gubler, Foville), ápice petroso (Gradenigo), seio cavernoso
VII FacialFranzir a testa, fechar os olhos com força, mostrar os dentes, assobiar; gustação 2/3 anteriores; lacrimejamento; hiperacusiaPeriférica: tende a comprometer hemiface inteira, com lagoftalmo. Central: costuma poupar relativamente a fronte; esse sinal isolado não exclui AVCVer S04
VIII VestibulococlearSussurro/atrito de dedos, Weber e Rinne, nistagmo, HINTS, Dix-Hallpike, impulso cefálicoHipoacusia (condutiva vs neurossensorial), vertigem, nistagmoNeurite vestibular, VPPB, Menière, schwannoma vestibular, AICA/PICA (central)
IX GlossofaríngeoGustação 1/3 posterior, sensibilidade da faringe, reflexo do vômito (aferente)Disfagia, reflexo do vômito abolido, neuralgia do IX (dor na garganta/ouvido ao deglutir, síncope)Forame jugular (Vernet: IX, X, XI), bulbo lateral
X VagoElevação do palato ("ah"), voz, tosse, reflexo do vômito (eferente)Úvula desvia para o lado são; voz anasalada, rouquidão, disfagia, regurgitação nasalBulbo (Wallenberg), forame jugular, laríngeo recorrente (tórax, tireoide)
XI AcessórioEsternocleidomastóideo (vira a cabeça para o lado contrário), trapézio (elevação do ombro)Fraqueza de rotação da cabeça para o lado oposto; ombro caído; escápula alada lateralForame jugular, cirurgia cervical (esvaziamento), trauma
XII HipoglossoProtrusão e movimentos da língua, atrofia, fasciculaçõesPeriférico: língua desvia para o lado da lesão, com atrofia e fasciculações. Central: desvia para o lado contrário, sem atrofiaBulbo medial (Dejerine), ELA (bilateral com fasciculações), dissecção carotídea, base do crânio
Regra dos desvios
Mandíbula (V) e língua (XII) desviam para a lesão. Úvula (X) desvia para o lado são. Olhos em lesão hemisférica desviam para a lesão; em lesão pontina, para o lado oposto. Cabeça (XI) não vira para o lado oposto à lesão.

Motricidade: inspeção, tônus, força

Inspeção

  • Atrofia: LMN, desuso, miopatia (proximal) ou neuropatia (distal, pé cavo). Compare circunferências.
  • Fasciculações: contrações vermiculares visíveis; espontâneas e difusas com atrofia = corno anterior (ELA). Benignas: panturrilhas, pálpebras, sem fraqueza.
  • Postura: mão em garra (ulnar), mão caída (radial), pé caído (fibular/L5), decorticação/descerebração, distonia.
  • Movimentos anormais: tremor (repouso, postural, intenção), coreia, balismo, mioclonias, asterixis, tiques.

Tônus

  • Espasticidade (piramidal): dependente da velocidade, "canivete", predomina em flexores do MS e extensores do MI.
  • Rigidez (extrapiramidal): independente da velocidade, "cano de chumbo" ou "roda denteada" (com tremor); aumenta com manobra de Froment (movimento contralateral).
  • Paratonia (gegenhalten): resistência proporcional ao esforço do examinador — frontal/difusa (demência, encefalopatia).
  • Hipotonia: LMN, cerebelo, coreia, choque medular, fase aguda de AVC.

Força — escala MRC

GrauDefinição
0Nenhuma contração
1Contração visível/palpável sem movimento
2Movimento com gravidade eliminada
3Vence a gravidade, não a resistência
4Vence alguma resistência (4−, 4, 4+)
5Força normal

Manobras deficitárias (paresia sutil)

  • Braços estendidos (Barré/Mingazzini de MMSS): queda com pronação = piramidal. Queda sem pronação, com "cambaleio" = funcional ou proprioceptiva.
  • Mingazzini de MMII: decúbito dorsal, quadris e joelhos a 90°: a perna parética cai.
  • Barré de MMII: decúbito ventral, pernas fletidas a 90°: a perna parética cai.
  • Raimiste: antebraços verticais, cotovelos apoiados: a mão parética cai em flexão.
  • Padrão piramidal: fraqueza maior em abdução do ombro, extensão do cotovelo e dos dedos, flexão do quadril, dorsiflexão.

Padrões que localizam

  • Proximal simétrica → músculo (ou LEMS)
  • Distal simétrica → polineuropatia (ou miopatia distal, ELA inicial)
  • Fatigável, ocular/bulbar → junção neuromuscular
  • Hemicorpo → hemisfério contralateral (proporcionada = cápsula; braquiofacial = córtex ACM; crural = ACA)
  • Cruzada → tronco; poupando a face → bulbo medial ou medula cervical

Reflexos

ReflexoNívelNervoComo obterNota
BicipitalC5–C6MusculocutâneoPolegar sobre o tendão na fossa cubital, percutir o polegarAbolido em radiculopatia C5/C6
Estilorradial (braquiorradial)C5–C6RadialPercutir o rádio distal com antebraço semipronadoReflexo invertido (flexão dos dedos sem flexão do cotovelo) = mielopatia cervical C5–C6
TricipitalC7 (C6–C8)RadialBraço apoiado, cotovelo a 90°, percutir acima do olécranoAbolido em radiculopatia C7
Flexor dos dedosC8–T1Mediano/ulnarPercutir os dedos semifletidos do examinador sobre os do pacienteHoffmann/Trömner exaltados = UMN cervical
PatelarL2–L4FemoralJoelho a 90°, percutir o tendão patelar; distração (Jendrassik)Abolido em L4 / neuropatia femoral
AquileuS1–S2TibialPé em leve dorsiflexão, percutir o tendão calcâneo; clônusAbolido em S1 / polineuropatia; hiporreflexia bilateral em idosos pode ser normal
Cutâneo-abdominaisT7–T12IntercostaisRiscar os quadrantes do abdome de fora para dentroAbolidos em UMN (EM, mielopatia); obesos/multíparas: pouco confiáveis
CremastéricoL1–L2GenitofemoralRiscar a face medial da coxaAbolido em lesão medular/radicular alta
Bulbocavernoso / analS2–S4PudendoCompressão da glande/clitóris ou tração da sonda; contração analRetorno é marco tradicional da evolução do choque medular, cuja recuperação varia; ausência também pode ocorrer em lesão de cone/cauda
Cutâneo-plantarL5–S2Tibial/fibularRiscar a borda lateral da planta, do calcanhar aos metatarsosBabinski = extensão do hálux ± abertura em leque; equivalentes: Chaddock, Oppenheim, Gordon

Graduação

0 abolido · 1+ hipoativo · 2+ normal · 3+ vivo, sem clônus · 4+ exaltado com clônus

Assimetria vale mais que o valor absoluto. Hiperreflexia generalizada simétrica sem Babinski costuma ser constitucional ou ansiedade/hipertireoidismo.

Sinais patológicos

  • Babinski: apoia disfunção piramidal quando presente; a sensibilidade é limitada e sua ausência não exclui lesão central.
  • Hoffmann: pinçar a falange distal do dedo médio → flexão do polegar. UMN acima de C8, mas presente em hiperreflexia constitucional.
  • Clônus (aquileu/patelar) sustentado: UMN.
  • Reflexo mandibular exaltado: UMN acima da ponte (pseudobulbar); útil para diferenciar mielopatia cervical (mandibular normal) de lesão supra-pontina.

Sensibilidade

ModalidadeViaCruzamentoTeste
Dor e temperaturaEspinotalâmico lateralComissura branca anterior, 1–2 segmentos acima da entradaPalito descartável (não agulha), tubos frio/quente ou diapasão frio
Tato grosseiroEspinotalâmico anteriorIdemAlgodão
VibraçãoCordão posterior → lemnisco medialBulbo (decussação lemniscal)Diapasão 128 Hz em hálux, maléolo, tíbia; compare com o seu
PropriocepçãoCordão posteriorBulboPosição do hálux/dedo com olhos fechados; Romberg
Tato fino discriminativoCordão posteriorBulboDiscriminação de dois pontos (polpa digital normal ≤ 5 mm)
CorticalCórtex parietal (S1 e associativo)—Grafestesia, estereognosia, localização tátil, extinção à dupla estimulação simultânea

Padrões e o que localizam

  • Hemi-hipoestesia de todas as modalidades face + corpo → tálamo (VPL/VPM) ou cápsula/córtex (se com sinais corticais).
  • Face de um lado, corpo do outro (dor/temperatura) → bulbo lateral (Wallenberg).
  • Nível sensitivo no tronco → medula, 1–2 segmentos abaixo do nível real para o espinotalâmico.
  • Dissociação: perde dor/temperatura, preserva vibração/propriocepção → cordão anterior ou centromedular (siringomielia, "em xale" suspensa). O inverso → cordão posterior (B12, tabes, cobre, EM).
  • Hemissecção: propriocepção ipsilateral + dor/temperatura contralateral → Brown-Séquard.
  • Dermátomo → raiz; território de nervo → mononeuropatia; bota e luva → polineuropatia.
  • Sela (S2–S5) → cone medular / cauda equina.

Marcos de dermátomos

C4Ombro / clavículaT4Mamilo
C5Face lateral do braçoT6Apêndice xifoide
C6PolegarT10Umbigo
C7Dedo médioT12–L1Região inguinal
C8Dedo mínimoL3Face anterior do joelho
T1Face medial do antebraçoL4Maléolo medial
T2AxilaL5Dorso do pé / hálux
S1Borda lateral do pé / calcanharS2–S5Sela / períneo

Romberg positivo = piora nítida ao fechar os olhos (proprioceptivo ou vestibular). Paciente cerebelar oscila de olhos abertos: não é Romberg.

Coordenação

  • Índex-nariz / índex-índex: dismetria e tremor de intenção (piora ao aproximar do alvo) = cerebelo ipsilateral.
  • Calcanhar-joelho: dismetria de MMII; decompõe o movimento.
  • Diadococinesia: pronação-supinação rápida; lenta e irregular = disdiadococinesia.
  • Rechaço (Stewart-Holmes): soltar o braço fletido contra resistência: bate no próprio peito = hipotonia cerebelar.
  • Fala: escandida, explosiva, silabada.
  • Olhos: nistagmo evocado pelo olhar, sacadas hipermétricas, perseguição em sacadas.
Ataxia não é só cerebeloAtaxia sensitiva (cordão posterior/polineuropatia): piora sem visão, Romberg positivo, sem nistagmo nem disartria. Ataxia frontal (apraxia da marcha): tronco e marcha ruins com coordenação de membros normal no leito. Ataxia vestibular: lateropulsão para o lado da lesão, vertigem, nistagmo. Hemiparesia atáxica: lacuna pontina ou capsular.

Marcha e equilíbrio

MarchaDescriçãoLocalização
Hemiparética (ceifante)Circundução do MI espástico, braço fletido e aduzido, pé em equinoUMN unilateral (hemisfério, cápsula, tronco)
Paraparética espástica (tesoura)Pernas rígidas, coxas aduzidas cruzando, passos curtos arrastadosMedula (mielopatia), parassagital, paraparesia espástica hereditária, PC
ParkinsonianaPassos curtos, festinação, ausência de balanço de braços, em bloco, congelamento, postura fletida, retropulsãoNúcleos da base (DP, parkinsonismos)
Atáxica cerebelar (ebriosa)Base alargada, irregular, cambaleante, não piora ao fechar os olhos, não consegue tandemVérmis (tronco) / hemisférios (desvia para o lado da lesão)
Atáxica sensitiva (talonante)Bate os calcanhares, olha para os pés, piora no escuro e ao fechar os olhos (Romberg +)Cordão posterior, polineuropatia de fibras grossas
Escarvante (steppage)Levanta muito o joelho para não arrastar o pé caído; bate a ponta do péFibular comum, L5, polineuropatia (bilateral), Charcot-Marie-Tooth
Anserina (miopática)Rebola, hiperlordose, Trendelenburg bilateral; Gowers ao levantarFraqueza proximal: miopatias, distrofias
Apráxica / magnéticaPés colados ao chão, base larga, passos curtos, dificuldade em iniciar; coordenação normal no leitoFrontal bilateral, HPN (tríade de Hakim-Adams: marcha, demência, incontinência), vascular subcortical
CautelosaLenta, base alargada, agarra-se a apoios, sem sinal focalIdoso, medo de queda, multifatorial
AntálgicaEncurta a fase de apoio do lado doloridoOrtopédica/dor
FuncionalInconsistente, esforço excessivo, joelhos que cedem sem queda, astasia-abasia, melhora com distraçãoTranstorno neurológico funcional (diagnóstico por sinais positivos)

Sinais meníngeos

  • Rigidez de nuca: resistência à flexão passiva (não à rotação, que é cervicoartrose).
  • Kernig: quadril fletido a 90°, extensão do joelho provoca dor/resistência.
  • Brudzinski: flexão do pescoço provoca flexão dos quadris/joelhos.
  • Jolt accentuation: cefaleia piora ao girar a cabeça 2–3×/s.
Sensibilidade baixaEm adultos avaliados por suspeita de meningite no estudo de Thomas et al. (CID 2002), Kernig/Brudzinski e rigidez de nuca tiveram baixa sensibilidade. Ausência não exclui meningite. Integrar clínica e LCR quando seguro; não atrasar tratamento empírico quando indicado para aguardar exames.

Exame neurológico na UTI em dez minutos

  1. Sedação e delirium: RASS; se RASS ≥ −3, CAM-ICU.
  2. Consciência: Glasgow (com melhor resposta) ou FOUR (útil no intubado).
  3. Pupilas: tamanho, simetria, reatividade (pupilometria se disponível).
  4. Olhos: posição de repouso, desvio conjugado, movimentos espontâneos, oculocefálico (se coluna cervical liberada), corneano.
  5. Face: simetria à careta/dor; reflexo de tosse e vômito no intubado.
  6. Padrão respiratório e assincronia ventilatória.
  7. Motor: simetria da resposta à dor, postura (decorticação/descerebração), tônus, MRC-sum score se colaborativo (< 48 = fraqueza adquirida na UTI).
  8. Reflexos: profundos, Babinski, clônus.
  9. Sinais meníngeos e nível sensitivo quando possível.
  10. Registre em linguagem que permita comparação a cada turno.
Novo déficit focal no paciente críticoConsidere AVC (inclusive embólico por FA, endocardite, pós-operatório cardíaco), hemorragia (anticoagulação, plaquetopenia), crise não convulsiva (EEG), encefalopatia com paresia de Todd, e hipoglicemia. Avaliar ABC e glicemia imediatamente, registrar último momento bem e acionar protocolo de AVC. TC sem contraste e estudo vascular conforme suspeita/avaliação da equipe, sem restringir investigação vascular a uma janela presumida; exame focal não substitui imagem.
Fraqueza adquirida na UTIPolineuropatia e miopatia do doente crítico: tetraparesia flácida simétrica, face poupada, dificuldade de desmame, sensibilidade variável (PNP) ou normal (miopatia), reflexos reduzidos. Diagnóstico diferencial: Guillain-Barré, miastenia, mielopatia cervical não diagnosticada, bloqueio neuromuscular residual, hipofosfatemia/hipocalemia.

Sinais positivos de transtorno neurológico funcional

O diagnóstico é feito por sinais positivos de inconsistência interna, não por exclusão. Coexistência com doença orgânica é comum, e o rótulo não dispensa investigação quando há sinal de alarme.

SinalComo testarInterpretação
HooverPaciente em decúbito; peça flexão do quadril do lado "forte" contra resistência, com a mão sob o calcanhar "fraco"Extensão automática do quadril "fraco" que não aparece no comando direto
Queda sem pronaçãoBraços estendidosCai sem pronar (piramidal prona)
Fraqueza que cede (give-way)Força testadaColapso súbito e intermitente da força, com força plena por instantes
Arrastamento (drag)MarchaPerna arrastada como peso morto, quadril em rotação externa/interna, sem circundução
Entrainment do tremorBater ritmo com a mão contralateralTremor funcional assume o ritmo imposto ou para
Divisão exata na linha médiaVibração no esterno/testaDiferença de vibração em osso único não tem substrato anatômico
Campo tubularConfrontação a 1 m e a 2 mCampo não se expande com a distância
S03 · Sinais-guia

Linguagem e afasias

Três perguntas organizam os protótipos das oito afasias clássicas: é fluente? compreende? repete? A nomeação frequentemente está alterada em diferentes afasias e deve sempre ser testada; isoladamente, não separa os padrões. A repetição é o eixo que separa as afasias perissilvianas (repetição ruim) das transcorticais (repetição preservada).

Classificador de afasia

Escolha os três eixos e leia a síndrome, a topografia e a artéria.
Não fluente: < 50 palavras/min, esforçada, agramática, frases curtas. Fluente: prosódia e débito normais, conteúdo vazio, parafasias.
Ordens de 1, 2 e 3 etapas; perguntas sim/não; apontar objetos.
"Nem aqui, nem ali, nem lá"; frases de complexidade crescente.

As oito afasias clássicas

AfasiaFluênciaCompreensãoRepetiçãoTopografiaArtériaSinais associados
Broca (motora)Não fluentePreservadaRuimGiro frontal inferior posterior (áreas 44/45) e substância branca subjacente, opérculo frontalACM divisão superior (esquerda)Hemiparesia braquiofacial direita, apraxia bucofacial, desvio do olhar para a esquerda, paciente consciente do déficit e frustrado
Wernicke (sensorial)FluenteComprometidaRuimGiro temporal superior posterior (área 22)ACM divisão inferior (esquerda)Parafasias, neologismos, jargão; anosognosia; quadrantanopsia superior direita; sem paresia — confundida com psicose ou delirium
ConduçãoFluentePreservadaRuimFascículo arqueado / giro supramarginal / ínsulaRamos parietais da ACMParafasias fonêmicas com autocorreção (conduite d'approche); repetição desproporcionalmente ruim; hipoestesia cortical à direita
GlobalNão fluenteComprometidaRuimTodo o território perissilvianoACM tronco (M1) esquerdaHemiplegia direita, hemianopsia, desvio do olhar; evolui para Broca se recupera
Transcortical motoraNão fluentePreservadaPreservadaFrontal dorsolateral / área motora suplementar, anterior ou superior a BrocaZona limítrofe ACA–ACMMutismo inicial, ecolalia; paresia crural; hipotensão/hipoperfusão como causa
Transcortical sensitivaFluenteComprometidaPreservadaTêmporo-parieto-occipital posterior a WernickeZona limítrofe ACM–ACPEcolalia, repete sem entender; anomia grave; hemianopsia; Alzheimer avançado
Transcortical mista (isolamento)Não fluenteComprometidaPreservadaZonas limítrofes anterior e posterior, poupando a área perissilvianaHipoperfusão global (parada cardíaca, oclusão carotídea)Só repete; ecolalia; completa provérbios; "ilha" de linguagem isolada
AnômicaFluentePreservadaPreservadaGiro angular, temporal inferior — pouco localizatóriaVariávelCircunlóquios; fase de recuperação de qualquer afasia; encefalopatia, demência, lesão expansiva

Diferenciais que não são afasia

Disartria
Articulação ruim com linguagem íntegra (escreve normalmente). Flácida (LMN), espástica (UMN bilateral), atáxica (cerebelo), hipocinética (Parkinson), mista (ELA).
Afemia
Mutismo ou fala apráxica com escrita e compreensão normais — lesão pequena da área de Broca/opérculo; recuperação boa.
Mutismo acinético
Não fala nem se move, mas está acordado — frontal medial bilateral (ACA), diencéfalo.
Surdez verbal pura
Não compreende fala, mas lê e escreve — temporal bilateral ou lesão subcortical esquerda que isola Wernicke.
Afasia subcortical
Tálamo (fluente, hipofônica, flutuante com a atenção) ou estriado/cápsula (disartria + anomia + repetição relativamente boa).
Delirium / psicose
Fala desorganizada com atenção comprometida; Wernicke mantém atenção e comportamento não bizarro fora da linguagem.
Alexia sem agrafia
Lê mal, escreve bem (e não lê o que escreveu). Occipital esquerdo + esplênio do corpo caloso (ACP esquerda). Hemianopsia direita associada.
Síndrome de Gerstmann
Acalculia, agrafia, agnosia digital, desorientação direita–esquerda. Giro angular esquerdo (parietal dominante).
Aprosodia
Análogo direito das afasias: perde a melodia emocional da fala (motora, frontal direita) ou não a entende (sensorial, temporal direita).
Apraxia da fala
Erros de programação articulatória, inconsistentes, com tentativas e busca; frequente com Broca.
Afasia progressiva primária
Início insidioso, meses–anos: variantes não fluente/agramática, semântica e logopênica. Degenerativa, não vascular.
Prova
Afasia fluente com repetição ruim e compreensão boa é condução, não Wernicke. Afasia com ecolalia é transcortical. Sem paresia com fala incompreensível em idoso agitado: pense em Wernicke antes de sedar para "psicose". Wernicke com quadrantanopsia superior direita: a radiação óptica passa pelo temporal.

Exame da linguagem à beira do leito

  1. Fala espontânea: "Conte como foi sua manhã." Observe débito, esforço, prosódia, gramática, parafasias (fonêmicas: "cadeila"; semânticas: "mesa" por "cadeira"), neologismos.
  2. Compreensão: "Feche os olhos" → "Aponte o teto e depois a porta" → "Toque a orelha esquerda com a mão direita." Evite ordens de linha média (fechar olhos, abrir boca), que são preservadas em afasias graves.
  3. Repetição: palavra, frase curta, frase com conectivos ("Nem aqui, nem ali, nem lá").
  4. Nomeação: relógio, ponteiro, pulseira (alta e baixa frequência); partes do corpo; cores.
  5. Leitura em voz alta e compreensão do que leu.
  6. Escrita: uma frase espontânea (não o nome, que é automatizado).
S04 · Sinais-guia

Paralisia facial

O padrão facial ajuda a localizar: lesões supranucleares tendem a poupar relativamente a fronte; lesões nucleares ou infranucleares costumam afetar toda a hemiface. Porém, AVC também pode causar fraqueza da face superior. A testa isoladamente não separa central de periférico: examine membros, linguagem, olhar e demais nervos cranianos.

Topografia da paralisia facial

Responda em ordem. O painel devolve o nível da lesão e o que investigar.

Se periférica: marque o que estiver presente

A fronte é uma pista, não um teste de exclusão de AVCAs saídas abaixo representam padrões didáticos. Hemiface inteira acometida também pode ocorrer em lesão pontina ou supranuclear. Início súbito ou sinais associados requerem avaliação urgente.

Central versus periférica

AchadoCentral (supranuclear)Periférica (nuclear / infranuclear)
FrontePoupada (franze dos dois lados)Acometida (não franze, não eleva a sobrancelha)
Fechamento ocularPreservado ou discretamente fracoLagoftalmo; sinal de Bell (olho roda para cima ao tentar fechar)
Lado da lesãoContralateral à face paralisadaIpsilateral
DissociaçãoVoluntária pior que emocional (lesão cortical/capsular); emocional pior que voluntária (tálamo, núcleos da base, frontal medial)Ambas igualmente acometidas
CompanhiaHemiparesia do mesmo lado da face, afasia, negligência, hemianopsiaVI, VIII, V, ataxia, hemiparesia contralateral (se pontina); gustação, lacrimejamento, hiperacusia
Causa típicaAVC, tumor, lesão subcorticalBell, Ramsay Hunt, otite, trauma, tumor de parótida, Guillain-Barré, sarcoidose, Lyme, diabetes
Pegadinha
Lesão da ponte acima do núcleo do facial (fibras corticobulbares) dá paralisia de padrão central contralateral. Lesão do núcleo ou do fascículo do VII na ponte dá paralisia periférica ipsilateral + hemiparesia contralateral (Millard-Gubler). "Periférica" não significa "fora do tronco".

Trajeto do nervo facial e níveis de lesão

NívelMotorLacrimejamentoHiperacusiaGustaçãoSinais de vizinhança
Núcleo / fascículo pontinoPeriféricoNormalNãoNormalVI ipsilateral, olhar conjugado, hemiparesia contralateral, INO
Ângulo pontocerebelarPeriféricoReduzido (nervo intermédio)PodeAlteradaVIII (hipoacusia neurossensorial, zumbido, vertigem), V (corneano abolido), ataxia; schwannoma vestibular, meningioma
Meato acústico interno / gânglio geniculadoPeriféricoReduzido (petroso maior)SimAlteradaRamsay Hunt (VZV): vesículas, otalgia; fratura do temporal
Entre geniculado e estapédioPeriféricoNormalSimAlteradaOtite média, colesteatoma
Entre estapédio e corda do tímpanoPeriféricoNormalNãoAlteradaOtite, mastoidite, cirurgia otológica
Distal à corda (forame estilomastóideo, parótida)Periférico, motor puroNormalNãoNormalTumor de parótida (acomete ramos isoladamente, progressivo), trauma, Bell (edema no canal)

A paralisia de Bell costuma ter hiperacusia e disgeusia (lesão no canal do facial, proximal à corda do tímpano) com lacrimejamento reflexo variável; a topografia fina importa mais quando os achados apontam para tronco, ângulo pontocerebelar ou parótida.

Paralisia de Bell: conduta e sinais de alarme

Diagnóstico

  • Periférica, unilateral, instalação em < 72 h, sem outro sinal neurológico; dor retroauricular e disgeusia são comuns.
  • Exame otológico (vesículas, otite, colesteatoma) e palpação da parótida.
  • Imagem só se atípica: instalação lenta, sem recuperação em 3–4 meses, recorrente, ramos isolados, outros nervos cranianos, sinais de tronco.
  • Glicemia; sorologia HIV conforme contexto; em áreas endêmicas, Lyme.

Tratamento

  • Corticoide oral em até 72 h: prednisona 60 mg/dia por 5 dias com redução em 5 dias, ou 50 mg/dia por 10 dias (esquemas dos ensaios de Engström 2008 e Sullivan 2007; diretriz AAN 2012).
  • Antiviral (valaciclovir 1 g 3×/dia por 7 dias) associado ao corticoide pode ser oferecido; benefício adicional pequeno em Bell, indicado em Ramsay Hunt.
  • Proteção ocular: lágrima artificial de dia, pomada e oclusão à noite; encaminhar se ceratite.
  • Fisioterapia facial; toxina botulínica para sincinesias tardias.

Escala de House-Brackmann

GrauDescrição
INormal
IIDisfunção leve: fraqueza só ao exame atento; fechamento ocular completo
IIIModerada: assimetria evidente, fechamento ocular completo com esforço, sincinesias
IVModerada-grave: assimetria desfigurante, fechamento ocular incompleto
VGrave: movimento mínimo, olho não fecha
VIParalisia total
Não é BellBilateral (Guillain-Barré, Lyme, sarcoidose, HIV, meningite carcinomatosa/linfomatosa, Melkersson-Rosenthal); com hemiparesia contralateral ou VI (ponte); com VIII/V (ângulo pontocerebelar); progressiva em semanas ou por ramos (parótida); com febre e otalgia purulenta (otite/mastoidite); com vesículas (Ramsay Hunt: antiviral + corticoide).
S05 · Sinais-guia

Síndromes motoras

A distribuição da fraqueza é a coordenada mais barata do exame. Leia-a junto com reflexos, tônus e sensibilidade.

Padrão de fraqueza → topografia

PadrãoLocalização provávelConfirmaçãoCausas típicas
Hemiparesia braquiofacial (face e braço > perna)Córtex convexidade frontoparietal (ACM)Afasia (E) ou negligência (D), desvio do olhar, criseAVC de ACM, tumor, hematoma lobar
Hemiparesia crural (perna > braço)Córtex medial (ACA), parassagitalAbulia, reflexo de preensão, incontinênciaAVC de ACA, meningioma parassagital (paraparesia se bilateral)
Hemiparesia proporcionada (face = braço = perna)Cápsula interna, coroa radiada, base da ponteAusência de sinais corticais; motora puraLacuna, hemorragia capsular/putaminal
Hemiparesia poupando a faceBulbo medial ou medula cervical alta (Brown-Séquard)XII ipsilateral (bulbo); nível sensitivo (medula)Dejerine, mielopatia, EM
Cruzada (NC ipsilateral + corpo contralateral)TroncoO nervo define o nível (III mesencéfalo; VI/VII ponte; XII bulbo)AVC de tronco, tumor, EM
Paraparesia espásticaMedula torácica (ou parassagital bilateral)Nível sensitivo, esfíncteres, cutâneo-abdominais abolidosCompressão, mielite, HTLV-1, EM, B12, HPE
Paraparesia flácidaCauda equina, polirradiculoneuropatia, cone, choque medularArreflexia, sela, dor radicular (cauda); ascendente (GBS)Hérnia discal volumosa, GBS, trauma agudo
Tetraparesia espásticaMedula cervical, tronco bilateral, hemisférios bilateraisNível sensitivo; Lhermitte; mandibular normal (cervical) vs exaltado (supra-pontino)Espondilose, trauma, EM, locked-in (ponte)
Tetraparesia flácidaNervo / JNM / músculo / choque medularSensitivo, reflexos, fatigabilidade, CK, faceGBS, miastenia, botulismo, hipocalemia, ICUAW, mielopatia aguda
MonoparesiaCórtex (pequena lesão), raiz, plexo, nervoUMN → córtex; LMN → SNP; territórioAVC cortical pequeno, radiculopatia, plexopatia, mononeuropatia
Proximal simétricaMúsculo (ou LEMS, GBS)Sem sensitivo, reflexos preservados, CKMiopatias inflamatórias, estatinas, hipotireoidismo, corticoide, distrofias
Distal simétricaPolineuropatiaBota-luva, arreflexia distalDiabetes, álcool, B12, quimioterapia, CIDP, CMT
Fatigável, ocular, bulbarJunção neuromuscularPtose flutuante, teste do gelo, sem sensitivo, reflexos normaisMiastenia gravis; botulismo (descendente, pupilas); LEMS

Síndrome piramidal, doença do neurônio motor e diferenciais

ELA e o padrão UMN + LMN

  • Fraqueza assimétrica, progressiva, com atrofia e fasciculações (LMN) e hiperreflexia, Babinski, espasticidade (UMN) sem déficit sensitivo, sem alteração esfincteriana ou ocular.
  • Início bulbar (disartria, disfagia, língua atrófica com fasciculações) ou apendicular (mão em "split hand": atrofia do tênar/primeiro interósseo poupando o hipotênar).
  • Reflexo mandibular exaltado + labilidade emocional = pseudobulbar.
  • Diferencial obrigatório: mielopatia cervical espondilótica (LMN nos braços, UMN nas pernas, com sinais sensitivos e sem envolvimento bulbar), neuropatia motora multifocal (bloqueios de condução, tratável), miopatia por corpos de inclusão, atrofia muscular espinhal do adulto, Kennedy.

Paralisia bulbar versus pseudobulbar

Bulbar (LMN IX–XII)Pseudobulbar (UMN bilateral)
LínguaAtrófica, fasciculante, flácidaPequena, espástica, lenta, sem atrofia
Reflexo mandibularNormal ou ausenteExaltado
Reflexo do vômitoAbolidoExaltado
FalaAnasalada, flácidaEspástica, "estrangulada"
Labilidade emocionalAusenteRiso e choro espasmódicos
CausasELA, GBS, miastenia (mimetiza), Wallenberg, tumor de baseAVCs bilaterais, ELA, EM, PSP

Síndromes extrapiramidais

SíndromeSemiologiaTopografiaCausas
ParkinsonismoBradicinesia (obrigatória: lentidão com decremento de amplitude) + rigidez e/ou tremor de repouso 4–6 Hz; assimetria, micrografia, hipomimia, marcha em bloco, instabilidade postural tardiaSubstância negra / estriado (via nigroestriatal)Doença de Parkinson; drogas (neurolépticos, metoclopramida, flunarizina); vascular (predomínio em MMII); atípicos
Sinais de alarme para parkinsonismo atípicoQuedas precoces, paralisia do olhar vertical (PSP); disautonomia precoce, sinais cerebelares, estridor (AEM); apraxia, membro alienígena, mioclonia cortical assimétrica (DCB); alucinações e flutuações precoces (DCL); simetria e ausência de tremor (drogas, vascular)—PSP, AEM, DCB, DCL
CoreiaMovimentos breves, irregulares, migratórios, incorporados a gestos; "impersistência motora" (língua de camaleão, mão de ordenhadeira)Caudado / estriadoHuntington, Sydenham, lúpus/SAF, hiperglicemia não cetótica (hemicoreia), levodopa, gestação, policitemia
HemibalismoArremesso violento proximal de um hemicorpoNúcleo subtalâmico contralateralAVC lacunar, hiperglicemia
DistoniaContração sustentada com posturas anormais e torção; truque sensitivoPutâmen / rede córtico-estriatalDrogas (aguda: antieméticos, neurolépticos), Wilson, genética, PC, focal idiopática
MiocloniaAbalos súbitos, breves, em choque; positiva ou negativa (asterixis)Cortical, subcortical, tronco, medulaEncefalopatia metabólica (hepática, urêmica, CO2), pós-anóxica (Lance-Adams), Creutzfeldt-Jakob, epilepsias mioclônicas, drogas (serotoninérgicos, opioides)
TiquesEstereotipados, suprimíveis, com urgência premonitóriaCircuitos córtico-estriataisTourette, tiques transitórios

Tremor: classifique pela situação em que aparece

TipoQuandoLocalização / causa
RepousoMembro relaxado, some ao iniciar movimento, aumenta com distraçãoParkinsonismo (4–6 Hz, "contar dinheiro")
PosturalBraços estendidosEssencial (bilateral, melhora com álcool, história familiar), fisiológico exacerbado (ansiedade, hipertireoidismo, cafeína, beta-agonista, valproato, lítio), neuropático
Intenção (cinético)Piora ao aproximar do alvoCerebelo / vias cerebelares
Holmes (rubral)Repouso + postural + intenção, lento, grosseiroMesencéfalo (núcleo rubro / via dentato-rubro-talâmica)
OrtostáticoSó em pé, "pernas trêmulas", 13–18 HzPrimário
FuncionalVariável, distrátil, entrainmentTranstorno funcional
Jovem com movimento anormalTremor em "bater de asas", distonia, parkinsonismo ou coreia antes dos 40 anos: excluir doença de Wilson (ceruloplasmina, cobre urinário, anel de Kayser-Fleischer, hepatopatia). Distonia aguda ocular ou cervical em pronto-socorro: pergunte por metoclopramida, bromoprida, haloperidol; biperideno ou prometazina resolvem.
S06 · Sinais-guia

Síndromes sensitivas

Duas vias com cruzamentos em níveis diferentes fazem da sensibilidade o instrumento mais preciso para o lado e o nível da lesão medular e de tronco.

Padrão sensitivo → topografia

PadrãoLocalizaçãoDetalhe que confirma
Perda cortical (grafestesia, estereognosia, extinção, localização) com modalidades primárias preservadasParietal contralateralApraxia, negligência (D), Gerstmann (E), quadrantanopsia inferior
Hemianestesia de todas as modalidades, face incluída, ± dor centralTálamo (VPL/VPM) contralateralSem paresia (sensitivo puro) ou com (talamocapsular); Dejerine-Roussy: dor em queimação semanas depois, alodinia, mão talâmica
Face de um lado, corpo do outro (dor/temperatura)Bulbo lateral ipsilateral à faceWallenberg clássico: vertigem, Horner, disfagia, ataxia ipsilateral; geralmente sem paresia
Perda de vibração/propriocepção contralateral com XII ipsilateralBulbo medialDejerine: hemiparesia contralateral poupando a face
Nível sensitivo horizontal no troncoMedulaO nível espinotalâmico fica 1–2 segmentos abaixo da lesão; procure nível de sudorese e reflexos cutâneo-abdominais
Propriocepção ipsilateral + dor/temperatura contralateral abaixo da lesãoHemissecção (Brown-Séquard)Paresia UMN ipsilateral; faixa de anestesia radicular no nível
Dissociação siringomiélica suspensa (em xale), tátil preservadoCentromedular cervicalAtrofia das mãos, arreflexia de MMSS, escoliose; Chiari
Dor/temperatura bilateral abaixo do nível com propriocepção preservadaCordão anterior (2/3 anteriores)Paraparesia; artéria espinhal anterior (cirurgia de aorta, hipotensão, dissecção)
Vibração/propriocepção perdidas, dor/temperatura preservadas, Romberg +Cordão posteriorLhermitte; B12 (com sinais de UMN = degeneração combinada), cobre, tabes, EM, HIV, óxido nitroso
Sela (S2–S5) ± retençãoCone / cauda equinaSimétrica e precoce (cone) vs assimétrica e dolorosa (cauda)
Faixa em dermátomo com dor irradiadaRaizHiporreflexia do reflexo correspondente, fraqueza miotomal, Lasègue/Spurling
Território de um nervoMononeuropatiaTinel, sítio de compressão; mononeurite múltipla = vasculite, diabetes, hanseníase
Bota e luva simétrica, ascendentePolineuropatia dependente do comprimentoArreflexia aquileia; fibras finas (dor, temperatura, autonômico, queimação) vs grossas (vibração, propriocepção, ataxia)
Perda de propriocepção + vibração com arreflexia, sem fraquezaGânglio da raiz dorsal (ganglionopatia)Não dependente do comprimento, assimétrica, face; Sjögren, paraneoplásica (anti-Hu), cisplatina, B6 em excesso

Detalhes que mudam a conduta

Nível sensitivo e nível da lesãoA fibra espinotalâmica sobe 1–2 segmentos antes de cruzar. Um nível em T10 no exame pode corresponder a lesão em T8. Peça a ressonância cobrindo segmentos acima do nível clínico.
Quando a dor é o sintomaDor radicular: irradiada, em faixa, piora com Valsalva. Dor talâmica: hemicorpo, em queimação, alodinia, semanas após o AVC. Dor de fibras finas: pés queimando à noite, com exame de fibras grossas normal (vibração e reflexos preservados). Dor da meralgia: face anterolateral da coxa, sensitiva pura.
S07 · Por nível do neuroeixo

Tronco encefálico

O padrão clássico de nervo craniano ipsilateral com via longa contralateral favorece tronco encefálico. O nervo ajuda a definir o nível; a distribuição medial/lateral orienta o território vascular, com variações anatômicas e possíveis lesões múltiplas.

A regra dos 4 Gates, Intern Med J 2005

MEDIAL · 4 M Motor (corticoespinhal) → hemiparesia contralateral Medial lemnisco → vibração/propriocepção contralateral MLF → oftalmoplegia internuclear ipsilateral Motor nuclei III · IV · VI · XII (dividem 12) → NC ipsilateral LATERAL · 4 S Spinocerebelar → ataxia ipsilateral Spinotalâmico → dor/temperatura contralateral no corpo Sensory nucleus do V → dor/temperatura ipsilateral na face Sympathetic → Horner ipsilateral MESENCÉFALO NC acima da ponte: I · II · III · IV artérias: ACP, basilar (perfurantes) núcleo do III (e IV) Weber: III + hemiparesia contralateral Claude: III + ataxia contralateral (n. rubro) Benedikt: III + hemiparesia + mov. anormais tegmento / teto Parinaud (dorsal): olhar vertical, pupilas luz-perto, nistagmo de convergência-retração, retração palpebral (Collier) — pineal, hidrocefalia PONTE NC na ponte: V · VI · VII · VIII artérias: basilar (paramedianas), AICA núcleo do VI · PPRF · MLF Millard-Gubler: VI + VII + hemiparesia contra Foville: olhar conjugado + VII + hemiparesia Locked-in (bilateral) · INO · lacunas pontinas V · VII · VIII (núcleos laterais) AICA / Marie-Foix: PFP + surdez + vertigem ipsilaterais, ataxia ipsilateral, Horner, dor/temperatura contralateral no corpo BULBO NC no bulbo: IX · X · XI · XII artérias: espinhal anterior, vertebral, PICA núcleo do XII · pirâmide · lemnisco Dejerine (bulbar medial): língua desvia para a lesão + hemiparesia contralateral poupando a face + perda de vibração/propriocepção contra IX · X · núcleo espinal do V · vestibular Wallenberg (bulbar lateral, PICA/vertebral): vertigem, Horner, disfagia, ataxia, face ipsi, corpo contra — sem hemiparesia
Cruzando o nível (linha) com a coluna (medial ou lateral), a maioria das síndromes vasculares do tronco fica previsível: coluna medial = via motora, lemnisco medial, MLF e núcleos III, IV, VI, XII; coluna lateral = espinocerebelar, espinotalâmico, núcleo sensitivo do V e via simpática.

Síndromes clássicas do tronco

SíndromeNível / colunaIpsilateralContralateralArtéria
WeberMesencéfalo ventral (pedúnculo)III (ptose, midríase, olho para fora e para baixo)Hemiparesia (face incluída)Ramos da ACP / basilar
ClaudeMesencéfalo tegmento (n. rubro, pedúnculo cerebelar superior)IIIAtaxia, tremorACP
BenediktMesencéfalo (pedúnculo + n. rubro)IIIHemiparesia + coreoatetose/tremorACP
NothnagelMesencéfalo dorsal (teto)III + ataxia (pedúnculo cerebelar superior)—Tumor da região pineal
ParinaudMesencéfalo dorsal (comissura posterior)Paralisia do olhar para cima, dissociação luz-perto, nistagmo de convergência-retração, retração palpebral, pseudo-Argyll RobertsonPineal, hidrocefalia, AVC
Millard-GublerPonte ventralVI e VII periféricoHemiparesiaParamedianas da basilar
FovillePonte dorsal (PPRF / núcleo VI)Paralisia do olhar conjugado para a lesão + VIIHemiparesiaBasilar
RaymondPonte ventralVIHemiparesiaBasilar
Marie-Foix / AICAPonte lateralPFP, hipoacusia, vertigem, hipoestesia facial, ataxia, HornerDor/temperatura no corpoAICA
Locked-inPonte ventral bilateralTetraplegia, anartria, paralisia horizontal do olhar; consciência e movimentos verticais/piscar preservadosBasilar (trombose), mielinólise pontina
WallenbergBulbo lateralHorner, dor/temperatura na face, ataxia, disfagia/rouquidão (ambíguo), vertigem/nistagmo, lateropulsão, soluçosDor/temperatura no corpoPICA (ou vertebral, mais comum)
DejerineBulbo medialXII (língua desvia para a lesão)Hemiparesia poupando a face, perda de vibração/propriocepçãoEspinhal anterior / vertebral
Topo da basilarMesencéfalo + tálamo + occipitalSonolência, alterações pupilares e de olhar vertical, alucinações pedunculares, hemianopsias, amnésia — pouca fraquezaEmbolia para a bifurcação da basilar
Prova
Wallenberg não tem hemiparesia (a pirâmide é medial) e o déficit mais frequente é a disfagia (risco de broncoaspiração). O nervo que mais frequentemente é lesado na dissecção vertebral e na Wallenberg: nenhum periférico — a "fraqueza facial" ali é hipoestesia (V), não paralisia (VII). III com pupila poupada em diabético: microvascular, resolve em 3 meses. III com pupila: angio-TC agora.
S08 · Por nível do neuroeixo

Olhos, pupilas e visão

Campo visual, pupila e motricidade ocular são três exames de dois minutos que atravessam todo o neuroeixo, do nervo óptico ao lobo occipital.

Via óptica interativa

Clique num ponto de lesão (1–6, lado esquerdo) e veja o campo visual resultante como o paciente o percebe.
OEOD quiasma CGL parietal tracejado = alça de Meyer (temporal)contínuo = radiação parietal occipital Eoccipital D fibras nasais cruzamfibras temporais não cruzam 1 2 3 4 5 6 CAMPO OE CAMPO OD temporalnasal nasaltemporal preto = campo perdido · borda âmbar = mácula poupada

Defeitos de campo visual

DefeitoLesãoPistasCausas
Amaurose monocular / escotoma centralRetina ou nervo ópticoDPAR, discromatopsia, dor à movimentação ocular (neurite), papilaNeurite óptica, NOIA, oclusão de artéria central da retina, compressão
Hemianopsia bitemporalQuiasma (fibras nasais cruzadas)Começa nos quadrantes superiores (adenoma comprime por baixo); "sente que perde a visão lateral"Adenoma hipofisário, craniofaringioma, meningioma
Escotoma juncionalJunção nervo–quiasma (joelho de Wilbrand)Escotoma central de um olho + defeito temporal superior do outroCompressão pré-quiasmática
Hemianopsia homônima incongruenteTrato ópticoDPAR contralateral, atrofia óptica em "gravata borboleta"Tumor, aneurisma
Quadrantanopsia superior homônimaAlça de Meyer (lobo temporal)"Pie in the sky"; com Wernicke ou crises temporaisAVC de ACM inferior, lobectomia temporal, tumor
Quadrantanopsia inferior homônimaRadiação parietalCom negligência ou GerstmannAVC de ACM, tumor
Hemianopsia homônima congruente com preservação macularCórtex occipital (calcarino)Sem paresia, sem DPAR; alexia sem agrafia se esquerda com esplênioAVC de ACP
Cegueira corticalOccipital bilateralPupilas normais, fundo normal; Anton = nega a cegueiraTopo da basilar, PRES, hipóxia, eclâmpsia
Campo tubularNão anatômicoNão se expande com a distânciaFuncional

Pupilas

AchadoComo decidirLocalizaçãoCausas e conduta
Anisocoria maior no escuroA pupila menor é a doente (não dilata)Via simpática (Horner) ou miose farmacológicaVer Horner abaixo; apraclonidina reverte a anisocoria no Horner
Anisocoria maior na luzA pupila maior é a doente (não contrai)III, pupila tônica de Adie, midríase farmacológica, trauma da írisIII com ptose e olho para fora: compressivo até prova em contrário. Adie: contração lenta, dissociação luz-perto, pilocarpina 0,1% contrai (supersensibilidade). Farmacológica: pilocarpina 1% não contrai
Anisocoria igual na luz e no escuro (< 1 mm)Reatividade normalFisiológica (20% das pessoas)Nenhuma
HornerMiose + ptose leve (Müller) + anidrose ± enoftalmia aparente; retardo de dilatação1ª ordem: hipotálamo → tronco → C8–T2 (Wallenberg, mielopatia cervical; anidrose do hemicorpo). 2ª ordem: raiz T1, ápice pulmonar, pescoço (Pancoast, tireoidectomia, cateter jugular; anidrose da face). 3ª ordem: carótida interna, seio cavernoso (dissecção carotídea, cefaleia em salvas; sem anidrose)Horner doloroso agudo = dissecção de carótida até prova em contrário: angio-TC/RM de vasos cervicais
DPAR (Marcus Gunn)Lanterna oscilante: a pupila dilata quando a luz passa para o olho doenteNervo óptico ou retina extensa; trato (contralateral)Neurite, NOIA, glaucoma avançado, descolamento
Argyll RobertsonPequenas, irregulares, acomodam mas não reagem à luzMesencéfalo periaquedutalNeurossífilis (também diabetes); pseudo-AR em Parinaud
Coma: puntiformes reativasLupa para ver a reaçãoPonteHemorragia pontina, opioides, organofosforados, clonidina
Coma: médias fixas (4–6 mm)Sem reaçãoMesencéfaloHerniação central, AVC de tronco, morte encefálica (pupilas médias ou dilatadas)
Coma: unilateral dilatada fixaCom rebaixamento progressivoIII comprimido (herniação uncal)Emergência: manitol/salina hipertônica, TC, neurocirurgia. Kernohan: hemiparesia ipsilateral (falso localizatório)
Coma: bilaterais dilatadas fixasSem reaçãoMesencéfalo bilateral / difusoAnóxia grave, herniação avançada, atropina/adrenérgicos, hipotermia profunda, morte encefálica
Coma: pequenas reativasReação preservadaDiencéfalo / difusoEncefalopatia metabólica: pupilas reativas são o marco do coma metabólico (exceções: anticolinérgicos, opioides, hipotermia, anóxia)

Motricidade ocular e olhar conjugado

AchadoLocalizaçãoNota
Desvio conjugado para o lado da lesão (olha para longe da hemiparesia)Hemisfério (campo ocular frontal) — AVC extenso, hemorragiaVence com oculocefálico
Desvio conjugado para longe da lesão (olha para a hemiparesia)Ponte (PPRF / núcleo do VI)Não vence com oculocefálico; ou crise epiléptica (olha para longe do foco, com clonias)
"Olhos errados" + desvio para baixo e para dentroTálamo (hemorragia talâmica)Pupilas pequenas pouco reativas
Oftalmoplegia internuclear (INO)FLM ipsilateral ao olho que não aduzNistagmo do olho abdutor; convergência preservada. Jovem, bilateral: EM. Idoso, unilateral: AVC
Síndrome do um e meioPPRF/núcleo VI + FLM ipsilateralSó resta a abdução do olho contralateral
Paralisia do olhar verticalMesencéfalo dorsal (Parinaud) — para cima; PSP — para baixo primeiroPreservada com oculocefálico se supranuclear
Skew deviationTronco/cerebelo (via otolítica)Desalinhamento vertical: componente do HINTS
Bobbing ocularPonteDescida rápida, retorno lento; olhar horizontal abolido
Diplopia dolorosa com múltiplos NC (III, IV, V1, VI) ± HornerSeio cavernoso / fissura orbitária superiorTrombose séptica, Tolosa-Hunt, aneurisma, fístula carótido-cavernosa (quemose, sopro), mucormicose no diabético
Ápice orbitárioSeio cavernoso + nervo ópticoBaixa acuidade + oftalmoplegia

Nistagmo e vertigem aguda: central ou periférica HINTS · SAEM GRACE-3, 2023

PeriféricaCentral
NistagmoHorizontal-torsional, unidirecional, fase rápida para longe da lesão, suprime com fixaçãoMuda de direção com o olhar, vertical puro (downbeat: junção craniocervical; upbeat: bulbo/mesencéfalo), torcional puro, não suprime
Head impulseAnormal (sacada corretiva) favorece hipofunção periférica; não exclui AVC, sobretudo em AICANormal — alarma
SkewAusentePresente
AudiçãoMenière, labirintiteAICA (perda auditiva unilateral nova na síndrome vestibular aguda é sinal de alarme para AVC)
MarchaAnda com dificuldadeNão consegue ficar em pé sem apoio
OutrosNáusea intensa, sem outro déficitDisartria, disfagia, dismetria, Horner, diplopia, hipoestesia facial
HINTS = INFARCTImpulse Normal, Fast-phase Alternating, Refixation on Cover Test. Qualquer sinal central torna o resultado preocupante e exige investigação, sem definir sozinho a causa. Aplicar apenas por examinador treinado, na síndrome vestibular aguda com sintomas contínuos e nistagmo espontâneo presente. Não usar em vertigem posicional episódica nem sem nistagmo. Não esperar completar 24 h para investigar suspeita de AVC. HINTS central ou inconclusivo: RM/RM vascular conforme avaliação. O desempenho do estudo original com especialistas não deve ser extrapolado a examinadores sem treinamento.
ArmadilhasEm AVC cerebelar, os membros podem parecer normais: avaliar equilíbrio e marcha somente se seguro, com apoio e prevenção de quedas. Sem nistagmo, o HINTS não se aplica; valorizar instabilidade e demais sinais. Déficit focal, HINTS central/inconclusivo ou exame não confiável exigem investigação urgente. TC normal não exclui AVC de fossa posterior; RM precoce negativa também pode exigir reavaliação se a suspeita persistir.

Síndromes de múltiplos nervos cranianos

LocalNervosQuadroCausas
Seio cavernosoIII, IV, V1 (V2), VI, simpáticoOftalmoplegia dolorosa, hipoestesia frontal, Horner, quemoseTrombose, Tolosa-Hunt, aneurisma, tumor, fístula, mucormicose
Ápice petroso (Gradenigo)V, VIDor facial + diplopia horizontal + otitePetrosite
Ângulo pontocerebelarV, VII, VIII (± IX, cerebelo)Hipoacusia neurossensorial progressiva, zumbido, corneano abolido, PFP, ataxiaSchwannoma vestibular, meningioma, cisto epidermoide
Forame jugular (Vernet)IX, X, XIDisfagia, rouquidão, úvula desviada, ombro caídoGlomus jugular, schwannoma, metástase, trombose jugular
Collet-SicardIX, X, XI, XIIVernet + língua desviadaBase do crânio, dissecção carotídea, tumor
VillaretIX–XII + HornerCollet-Sicard + HornerEspaço retroparotídeo
Meninges basaisMúltiplos, assimétricos, progressivosNervos cranianos "pipocando" em dias–semanasCarcinomatose meníngea, tuberculose, sarcoidose, fungo, Lyme, linfoma
S09 · Por nível do neuroeixo

Cerebelo

Sinais apendiculares de lesão cerebelar geralmente predominam do mesmo lado, refletindo a organização das conexões. Fraqueza, perda sensitiva ou Babinski não são explicados por uma lesão cerebelar pura: investigar comprometimento de tronco, vias associadas, efeito de massa ou doença multifocal.

Hemisfério versus vérmis

Hemisfério cerebelar (cerebrocerebelo)Vérmis / linha média (espinocerebelo, vestibulocerebelo)
Achado dominanteAtaxia apendicular ipsilateral: dismetria, disdiadococinesia, tremor de intenção, rechaço, hipotonia, decomposição do movimentoAtaxia de tronco e marcha: titubação, base alargada, incapacidade de sentar sem apoio; membros quase normais no leito
FalaEscandida, explosivaMenos afetada
OlhosNistagmo evocado pelo olhar, sacadas hipermétricasNistagmo, sacadas de onda quadrada, alteração de perseguição
CausasAVC (PICA, SCA, AICA), tumor, EM, abscessoÁlcool (degeneração vermiana anterior: marcha e MMII), meduloblastoma (criança), paraneoplásica (anti-Yo), Wernicke

Ataxia aguda: diferenciais que não podem esperar

  • AVC cerebelar: vertigem, vômito, cefaleia occipital, ataxia de marcha; o exame de membros pode ser normal. Edema em 48–72 h comprime o IV ventrículo e o tronco (hidrocefalia, rebaixamento): TC seriada, neurocirurgia precoce.
  • Hemorragia cerebelar: cefaleia súbita, vômitos, incapacidade de andar; avaliação neurocirúrgica imediata. AHA/ASA 2022 recomenda evacuação urgente, com ou sem drenagem ventricular, quando há deterioração neurológica, compressão de tronco, hidrocefalia obstrutiva ou volume ≥ 15 mL, para reduzir mortalidade.
  • Encefalopatia de Wernicke: ataxia de marcha + oftalmoparesia/nistagmo + confusão (tríade completa em minoria). Tiamina parenteral prontamente. Se houver hipoglicemia, corrigir imediatamente: não atrasar glicose para aguardar tiamina; administrar concomitantemente ou assim que disponível.
  • Intoxicações: fenitoína, carbamazepina, lítio, álcool, benzodiazepínicos — nistagmo e ataxia com nível sérico.
  • Miller Fisher: ataxia + oftalmoplegia + arreflexia (anti-GQ1b), pós-infecciosa.
  • Cerebelite pós-infecciosa (criança, varicela), EM, abscesso, paraneoplásica (subaguda), Creutzfeldt-Jakob (com mioclonia e demência rápida).
Ataxia + reflexosAtaxia com arreflexia: Miller Fisher, ataxia de Friedreich, ganglionopatia, ataxia sensitiva. Ataxia com hiperreflexia e Babinski: EM, ataxias espinocerebelares, degeneração combinada, lesão de tronco. Ataxia com nistagmo e disartria: cerebelar. Ataxia que piora sem visão: sensitiva. Ataxia só em pé: vermiana, vestibular ou funcional.
S10 · Por nível do neuroeixo

Medula espinhal

Três tratos e uma coluna cinzenta explicam quase todas as síndromes medulares. O nível vem do exame sensitivo e dos reflexos; a síndrome vem de quais tratos estão lesados.

Corte transversal interativo

Escolha a síndrome; as estruturas lesadas acendem e o déficit esperado aparece ao lado.
DORSAL VENTRAL corticoespinhallateral (UMN) espinotalâmico(dor / temp.) cordões posterioresvibração, propriocepção comissurabranca anterior corno anterior(LMN) E = lado esquerdo do paciente
Escolha uma síndrome acima.

Síndromes medulares

SíndromeEstruturasSemiologiaCausas
Transecção completaTudo abaixo do nívelPara/tetraplegia, anestesia total com nível, esfíncteres; choque medular inicial (flacidez/hiporreflexia); pode coexistir choque neurogênico (hipotensão/bradicardia, sobretudo em lesões altas)Trauma, mielite transversa, compressão, infarto
Brown-SéquardHemimedulaIpsilateral: UMN abaixo, LMN no nível, vibração/propriocepção. Contralateral: dor/temperatura 1–2 segmentos abaixoTrauma penetrante, EM, tumor extramedular, hérnia lateral
Cordão anterior2/3 anteriores (corticoespinhal, espinotalâmico, cornos)Paraplegia + perda de dor/temperatura; vibração/propriocepção preservadas; esfíncteresArtéria espinhal anterior (cirurgia de aorta, dissecção, hipotensão), hérnia discal, fragmento ósseo
Cordão posteriorFascículos grácil e cuneiformeAtaxia sensitiva, Romberg, Lhermitte, marcha talonante, força preservadaB12, cobre, tabes dorsalis, EM, compressão posterior, óxido nitroso, HIV
CentromedularComissura anterior ± cornos anterioresPerda dissociada suspensa (dor/temperatura em xale), atrofia/arreflexia de MMSS; traumática: MMSS > MMII, retençãoSiringomielia (Chiari, trauma, tumor), hiperextensão cervical no idoso espondilótico, hematomielia
Degeneração combinada subagudaCordões posteriores + lateraisAtaxia sensitiva + espasticidade + Babinski com reflexos variáveis (neuropatia associada), parestesiasB12 (anemia pode faltar), cobre, óxido nitroso
Cone medular (T12–L2 vertebral)Segmentos S2–S5Retenção urinária e incontinência fecal precoces, anestesia em sela simétrica, impotência, fraqueza discreta simétrica, aquileu ↓ com patelar preservado, pouca dorHérnia, tumor, fratura, ependimoma
Cauda equina (abaixo de L2)Raízes lombossacrasDor radicular intensa assimétrica, paraparesia flácida assimétrica, arreflexia, sela variável; disfunção esfincteriana pode aparecer cedo ou tardeHérnia volumosa, estenose, tumor, abscesso epidural, CMV (HIV)
Compressão medular é emergênciaSuspeita de compressão, especialmente com déficit novo/progressivo, exige RM urgente e discussão especializada; não esperar a combinação completa de dor, nível e alteração esfincteriana. Na compressão metastática com sinais/sintomas neurológicos, NICE NG234 recomenda dexametasona 16 mg oral ou equivalente parenteral prontamente, seguida de 16 mg/dia enquanto aguarda tratamento definitivo, com ajuste/desmame, glicemia e proteção gástrica orientados. RM de toda a coluna na suspeita metastática, o mais rápido possível e em até 24 h. Suspeita de abscesso: hemoculturas, RM, antibióticos e avaliação cirúrgica urgente; febre pode faltar. Hematoma em anticoagulado: reversão protocolar e neurocirurgia.

Nível medular: miótomos, reflexos e marcos

NívelMovimento-chave (ASIA)Reflexo
C5Flexão do cotovelo, abdução do ombroBicipital
C6Extensão do punhoEstilorradial
C7Extensão do cotoveloTricipital
C8Flexão dos dedos (3º dedo)Flexor dos dedos
T1Abdução do 5º dedo—
L2Flexão do quadrilCremastérico (L1–L2)
L3Extensão do joelhoPatelar
L4Dorsiflexão do tornozeloPatelar
L5Extensão do hálux—
S1Flexão plantarAquileu
S4–S5Contração anal voluntáriaBulbocavernoso / anal
  • Nível neurológico (ASIA): segmento mais caudal com sensibilidade normal e força ≥ 3 com o segmento acima normal.
  • Lesão completa (ASIA A): sem função motora ou sensitiva em S4–S5 após o fim do choque medular (retorno do bulbocavernoso).
  • Acima de T6: disreflexia autonômica (HAS paroxística, bradicardia, cefaleia com bexiga/reto cheios) e choque neurogênico agudo.
  • C3–C5: diafragma — insuficiência respiratória; lesão cervical alta em trauma exige via aérea precoce.
  • Vértebra × segmento: na coluna cervical o segmento medular fica 1 nível abaixo da vértebra; em T1–T6, 2 níveis; em T7–T9, 3 níveis; T10–T12 alojam os segmentos lombares; L1 aloja os sacrais (cone em L1–L2).
Prova
Paraparesia com reflexos cutâneo-abdominais abolidos e patelar exaltado: medula torácica. Paraparesia com nível sensitivo ausente, abulia e incontinência: parassagital (meningioma da foice). Tetraparesia com reflexo mandibular normal: cervical; exaltado: acima da ponte.
S11 · Por nível do neuroeixo

Raiz, plexo, nervo, junção e músculo

Cinco andares periféricos, cada um com uma assinatura: raiz (dermátomo + reflexo), plexo (multirradicular num membro), nervo (território), junção (fatigável, sem sensitivo), músculo (proximal, sem sensitivo, CK).

Radiculopatias

RaizDor / parestesiaHipoestesiaFraquezaReflexoDiferencial de nervo
C5Ombro, face lateral do braçoOmbro / braço lateralDeltoide, bíceps, supra/infraespinalBicipital ↓Axilar (só deltoide)
C6Braço lateral → polegarPolegar e indicadorBíceps, extensores do punho, braquiorradialBicipital / estilorradial ↓Túnel do carpo (poupa extensores; Tinel/Phalen; parestesia noturna)
C7Face posterior do braço → dedo médioDedo médioTríceps, flexores do punho, extensores dos dedosTricipital ↓Radial (mão caída, poupa tríceps se abaixo do sulco)
C8Face medial → dedo mínimo4º e 5º dedos, antebraço medialFlexores dos dedos, intrínsecosFlexor dos dedos ↓Ulnar (poupa flexor profundo do 2º–3º e abdutor do polegar); Horner sugere T1/Pancoast
L4Face anterior da coxa → joelho → perna medialPerna medialQuadríceps, tibial anteriorPatelar ↓Femoral (poupa tibial anterior; hematoma de psoas, amiotrofia diabética)
L5Face lateral da coxa/perna → dorso do pé → háluxDorso do pé, hálux, perna lateralExtensor do hálux, dorsiflexão, eversão, inversão (tibial posterior), abdução do quadril (glúteo médio — Trendelenburg)Nenhum confiávelFibular comum (poupa inversão e glúteo médio; sem dor lombar; compressão na cabeça da fíbula)
S1Face posterior da coxa/perna → planta / borda lateralBorda lateral do pé, calcanharFlexão plantar, glúteo máximo, isquiotibiaisAquileu ↓Ciático (também pé caído e isquiotibiais; poupa glúteos)

Lasègue (elevação da perna estendida) sugere L5/S1; Lasègue cruzado é mais específico. Spurling (extensão + rotação cervical com compressão) para raízes cervicais. Dor radicular piora com Valsalva; dor de plexo não segue dermátomo único; dor de nervo tem Tinel no sítio de compressão.

Mononeuropatias frequentes

NervoSítioMotorSensitivoSinal
MedianoTúnel do carpoAbdutor curto e oponente do polegar (atrofia tenar); proximal: flexores (mão da benção ao fechar)Polpas de 1º–3º e metade radial do 4º; poupa a eminência tenar (ramo palmar sai antes do túnel)Tinel, Phalen, parestesia noturna que acorda; diabetes, hipotireoidismo, gestação, amiloidose
UlnarCotovelo (sulco/túnel cubital) > punho (Guyon)Interósseos, adutor do polegar, hipotênar → mão em garra dos 4º–5º dedos5º e metade ulnar do 4º dedo, dorso incluído se cotovelo (poupa dorso se Guyon)Froment (flexão do polegar ao segurar papel), Wartenberg (5º dedo abduzido)
RadialSulco espiral ("paralisia de sábado à noite"), axila (muleta)Mão caída (extensores do punho e dedos), braquiorradial; tríceps poupado se abaixo do sulcoDorso da mão entre 1º e 2º metacarposEstilorradial ↓; tricipital normal. Diferencial: C7, AVC cortical pequeno (mão caída "central")
Fibular comumCabeça da fíbula (pernas cruzadas, emagrecimento, gesso, decúbito prolongado na UTI)Pé caído: dorsiflexão, eversão, extensão dos dedos; inversão preservadaDorso do pé e perna anterolateralReflexos normais; sem dor lombar; marcha escarvante
TibialTúnel do tarso, poplíteaFlexão plantar, inversão, intrínsecos do péPlantaAquileu ↓
CiáticoGlúteo (injeção, luxação do quadril, cirurgia, hematoma)Pé caído + flexão plantar + isquiotibiaisPerna e pé exceto face medial (safeno)Aquileu ↓; glúteos poupados (diferencia de L5/S1 + plexo)
FemoralLigamento inguinal, psoas (hematoma em anticoagulado), diabetesQuadríceps, iliopsoas se proximalCoxa anterior, perna medial (safeno)Patelar ↓; dorsiflexão preservada (diferencia de L4)
Cutâneo femoral lateralLigamento inguinal (obesidade, cinto, gestação)NenhumFace anterolateral da coxa (meralgia parestésica)Sensitivo puro; reflexos normais
Mononeurite múltiplaVários nervos, assimétricos, em dias–semanas, dolorosos: vasculite (PAN, ANCA, crioglobulinemia), diabetes, hanseníase (espessamento de nervos, hipoestesia em placas), HIV, sarcoidose. Biópsia de nervo e tratamento imunossupressor não podem esperar a "confluência" que a transforma em falsa polineuropatia.

Plexopatias

Tronco superior (C5–C6, Erb-Duchenne)
Braço pendente em adução, rotação interna, pronado ("gorjeta do garçom"); poupa a mão. Trauma de parto, motociclista, mochila.
Tronco inferior (C8–T1, Klumpke)
Mão em garra, atrofia intrínseca, hipoestesia ulnar, Horner (T1). Pancoast, tração do braço para cima, costela cervical.
Amiotrofia neurálgica (Parsonage-Turner)
Dor intensa no ombro por dias, depois fraqueza e atrofia (serrátil, supraespinal, deltoide), pós-infecciosa/pós-cirúrgica; recuperação em meses.
Plexopatia por radiação
Indolor, lenta, mioquimias na ENMG; a neoplásica é dolorosa, tronco inferior, com Horner.
Plexo lombossacro
Hematoma retroperitoneal (anticoagulado), tumor pélvico, cirurgia, parto, amiotrofia diabética (dor na coxa, fraqueza proximal, perda de peso, patelar abolido, assimétrica).
Raiz × plexo × nervo
Raiz: dor irradiada, paraespinais denervados na ENMG, potencial sensitivo preservado (lesão pré-ganglionar). Plexo: mais de um nervo e mais de uma raiz num membro, potencial sensitivo reduzido. Nervo: território único.

Polineuropatias e polirradiculoneuropatias

Padrões

  • Sensitivo-motora distal simétrica (dependente do comprimento): diabetes, álcool, urêmica, B12, quimioterapia, hipotireoidismo, HIV, hereditária (CMT: pé cavo, dedos em martelo, "garrafa invertida").
  • Fibras finas: dor em queimação, alodinia, disautonomia; reflexos e vibração normais — diabetes/pré-diabetes, amiloidose, Sjögren, sarcoidose, Fabry.
  • Fibras grossas / ataxia sensitiva: B12, CIDP, paraproteinemia (anti-MAG), ganglionopatia.
  • Motora predominante: GBS, CIDP, neuropatia motora multifocal, porfiria, chumbo, difteria; diferencial com ELA e AME.
  • Não dependente do comprimento / assimétrica: mononeurite múltipla, CIDP, ganglionopatia, hanseníase, infiltrativa.

Guillain-Barré

  • Fraqueza ascendente simétrica em dias (até 4 semanas), arreflexia, parestesias distais, dor lombar/radicular, diplegia facial, disautonomia (arritmia, labilidade pressórica, íleo), pós-infeccioso (Campylobacter, Zika, CMV, EBV, vacinas raramente).
  • O padrão típico tem hiporreflexia/arreflexia, mas reflexos preservados ou inicialmente aumentados não excluem GBS. LCR: proteína elevada com poucas células pode apoiar; proteína normal e ENMG normal no início não excluem. Pleocitose relevante exige investigar outras causas. ENMG auxilia a confirmação.
  • UTI: CVF < 20 mL/kg, magnitude da PImáx < 30 cmH₂O (menos negativa que −30) ou PEmáx < 40 cmH₂O são alertas da regra 20–30–40. Avaliar tendência seriada, bulbo, tosse, trabalho respiratório e disautonomia; nenhum número isolado decide intubação. Succinilcolina deve ser evitada pelo risco de hipercalemia.
  • Imunoglobulina IV ou plasmaférese, conforme indicação, tempo de evolução e protocolo especializado; corticosteroides não são tratamento eficaz do GBS. Não aguardar exames confirmatórios para oferecer suporte a deterioração respiratória.
  • Variantes: Miller Fisher (oftalmoplegia, ataxia, arreflexia, anti-GQ1b); faringo-cérvico-braquial; Bickerstaff (com rebaixamento).

Junção neuromuscular e músculo

Miastenia gravisLambert-EatonBotulismoMiopatia
FraquezaFatigável, flutuante, pior à tarde; ocular (ptose, diplopia), bulbar, proximal, cervical (cabeça caída)Proximal de MMII, melhora transitoriamente após esforço (facilitação)Descendente: olhos e bulbo → membros → respiração; simétricaProximal, simétrica, fixa; Gowers; escápula alada, disfagia em algumas
PupilasNormaisNormaisPodem ser dilatadas/hiporreativas; pupilas normais não excluem. Boca secaNormais
ReflexosNormaisReduzidos, aumentam após esforçoReduzidosPreservados até fases avançadas
SensibilidadeNormalNormal (parestesias leves)NormalNormal
AutonômicoNãoBoca seca, impotência, constipaçãoÍleo, retenção, hipotensãoNão
Teste de beira do leitoTeste do gelo (ptose melhora ≥ 2 mm), contagem em voz alta, olhar para cima sustentadoReflexo/força melhoram após 10 s de contraçãoHistória (conserva, ferida, mel em lactente)CK, padrão de distribuição, pele (heliótropo, Gottron), fármacos (estatina, corticoide, colchicina, cloroquina)
ConfirmaçãoAnti-AChR (anti-MuSK), estimulação repetitiva (decremento), TC de tórax (timoma)Anti-VGCC, incremento pós-tetânico, TC de tórax (CPPC)Toxina nas fezes/soro, ENMGENMG miopática, RM muscular, biópsia, anticorpos específicos (Jo-1, HMGCR, SRP)
AlarmeRisco de crise miastênica: queda da CVF, magnitude da PImáx < 30 cmH₂O, disfagia, tosse fraca ou fala entrecortada exigem avaliação urgente e seriada. Decisão ventilatória é clínica, sem limiar isolado. Rever fármacos que agravam transmissão neuromuscular e discutir imunoterapia com equipe especializada.Neoplasia ocultaAntitoxina precoce, suporte ventilatórioRabdomiólise, disfagia/aspiração, miocardite (miosite), hipoventilação
Prova
Ptose + diplopia + pupilas normais + reflexos normais = miastenia. Ptose + pupilas dilatadas + fraqueza descendente = botulismo. Ptose + miose = Horner. Ptose + midríase + olho para fora = III compressivo. Fraqueza proximal + boca seca + arreflexia que melhora com esforço = LEMS (procure carcinoma de pequenas células).
S12 · Por nível do neuroeixo

Córtex e territórios vasculares

No hemisfério, a topografia por lobo e a topografia por artéria são leituras complementares do mesmo exame: o lobo diz a função perdida, a artéria diz o mecanismo e a conduta.

Síndromes por lobo

LoboLesão dominante (E)Lesão não dominante (D)Qualquer lado
FrontalAfasia de Broca, transcortical motora, apraxia ideomotora bilateralAprosodia motoraHemiparesia braquiofacial (pré-central), desvio do olhar para a lesão, apatia/abulia (medial), desinibição (orbitofrontal), disfunção executiva e perseveração (dorsolateral), reflexos primitivos, apraxia da marcha, incontinência, anosmia (frontobasal), crises focais motoras (marcha jacksoniana), paratonia
ParietalGerstmann (giro angular), apraxia ideomotora, afasia de condução, alexia com agrafiaNegligência, anosognosia, apraxia do vestir e construtiva, extinçãoPerda sensitiva cortical (grafestesia, estereognosia, dois pontos, localização), quadrantanopsia inferior, ataxia óptica, astereognosia, crises sensitivas
TemporalWernicke, transcortical sensitiva, amnésia verbal, surdez verbalAmnésia visual, aprosodia sensorial, agnosia auditiva não verbalQuadrantanopsia superior (Meyer), crises focais com aura (epigástrica, déjà vu, olfatória, medo), automatismos; bilateral: Klüver-Bucy, amnésia grave (hipocampos)
OccipitalAlexia sem agrafia (com esplênio), agnosia para coresProsopagnosia (fusiforme; frequentemente bilateral)Hemianopsia homônima com preservação macular, alucinações visuais elementares, palinopsia; bilateral: cegueira cortical (Anton), Balint (simultanagnosia, apraxia ocular, ataxia óptica)

Síndromes vasculares

TerritórioSemiologiaPistas
ACM tronco (M1)Hemiplegia e hemi-hipoestesia contralaterais (face e braço ≥ perna), hemianopsia, desvio do olhar para a lesão, afasia global (E) ou negligência grave (D)NIHSS alto, risco de edema maligno em < 60 anos: craniectomia descompressiva precoce
ACM divisão superiorFraqueza braquiofacial, Broca (E), negligência motora (D), desvio do olharCompreensão preservada
ACM divisão inferiorWernicke (E) ou negligência/anosognosia (D), quadrantanopsia superior, perda sensitiva cortical, pouca ou nenhuma fraquezaConfundido com delirium ou psicose
ACAParesia crural contralateral, abulia, reflexo de preensão, incontinência, transcortical motora (E), apraxia da mão esquerda (calosa), mão alienígenaBilateral (variante ázigos, vasoespasmo pós-HSA de comunicante anterior): mutismo acinético, paraparesia
ACPHemianopsia homônima com preservação macular; alexia sem agrafia (E); prosopagnosia; hemi-hipoestesia (tálamo); amnésia (hipocampo); Weber/Claude (mesencéfalo)Cegueira cortical se bilateral (topo da basilar)
Coroidea anteriorHemiplegia + hemi-hipoestesia + hemianopsia sem sinais corticaisBraço posterior da cápsula interna e trato óptico
Lacunar — motora puraHemiparesia proporcionada isoladaBraço posterior da cápsula, base da ponte, coroa radiada
Lacunar — sensitiva puraHemi-hipoestesia isolada, face incluídaTálamo VPL
Lacunar — sensitivo-motoraAmbasTalamocapsular
Lacunar — hemiparesia atáxicaFraqueza + ataxia desproporcional no mesmo lado (perna > braço)Ponte, cápsula, coroa radiada
Lacunar — disartria–mão desajeitadaDisartria, disfagia, paresia facial central, mão inábilPonte, joelho da cápsula
Zonas limítrofes (watershed)ACA–ACM: fraqueza proximal de braço e coxa ("homem no barril"), transcortical motora. ACM–ACP: transcortical sensitiva, defeitos visuais, Balint se bilateralHipotensão, parada cardíaca, estenose carotídea crítica
Trombose venosa cerebralCefaleia, crises, déficits bilaterais ou alternantes, papiledema, rebaixamento; parassagital (seio sagital superior), temporal (seio transverso), seio cavernoso (oftalmoplegia dolorosa)Puerpério, contraceptivos, trombofilia, infecção; angio-TC/RM venosa
Prova
Hemianopsia + hemiplegia + hemi-hipoestesia sem afasia nem negligência: coroidea anterior ou cápsula/tálamo (não ACM cortical). Déficit crural + abulia: ACA. Sem fraqueza com afasia fluente ou negligência: ACM inferior. Déficit proximal bilateral após hipotensão: watershed. Cefaleia + crise + déficit que muda de lado: trombose venosa.

NIHSS: onze itens, 42 pontos

ItemPontosNota
1a Nível de consciência0–3
1b Perguntas (mês, idade)0–2Pontuar respostas; afasia/estupor que impeçam compreender as perguntas = 2. Incapacidade de falar por intubação ou outra causa não afásica = 1.
1c Comandos (abrir/fechar olhos, apertar mão)0–2Pantomima permitida
2 Olhar0–2Desvio forçado = 2
3 Campos visuais0–3
4 Paralisia facial0–3
5 Motor braços (a E, b D)0–4 cada10 s a 90°/45°
6 Motor pernas (a E, b D)0–4 cada5 s a 30°
7 Ataxia de membros0–2Só se desproporcional à fraqueza
8 Sensibilidade0–2
9 Linguagem0–3
10 Disartria0–2
11 Extinção / negligência0–2
  • Pontue o que o paciente faz, não o que você acha que ele consegue; a primeira tentativa vale.
  • Subestima circulação posterior (vertigem, disfagia, ataxia de marcha não pontuam) e lesões de hemisfério direito.
  • NIHSS isolado não decide reperfusão. Acionar equipe de AVC: elegibilidade depende de incapacidade, tempo, vaso, imagem e contraindicações. AHA/ASA 2026: alteplase ou tenecteplase até 4,5 h em elegíveis; seleção por imagem em início desconhecido ou 4,5–9 h. Trombectomia pode beneficiar grupos selecionados até 24 h, inclusive oclusão basilar.
  • Glicemia capilar antes de tudo: hipoglicemia mimetiza AVC (e paresia de Todd, enxaqueca com aura, tumor, funcional também).
S13 · Por nível do neuroeixo

Consciência e coma

O coma costuma resultar de duas grandes distribuições de disfunção: disfunção bihemisférica difusa ou lesão do sistema reticular ativador (tronco superior e diencéfalo). Pupilas, olhos, respiração e resposta motora dizem qual delas — e, no coma estrutural, em que andar a herniação está.

Escalas

Glasgow (3–15)

Abertura ocularVerbalMotora
4 espontânea5 orientado6 obedece
3 ao chamado4 confuso5 localiza a dor
2 à dor3 palavras inapropriadas4 retirada inespecífica
1 nenhuma2 sons3 flexão anormal (decorticação)
1 nenhum, se testável; V-NT se intubação impedir avaliação2 extensão (descerebração)
1 nenhuma

Registre por componente (E3 V2 M4) e documente a melhor resposta e os fatores que interferem. Se um componente não puder ser testado, use NT e não informe soma total; intubação não equivale a V1. GCS-P subtrai um ponto por pupila não reativa de uma avaliação completa (GCS-P 1–15).

FOUR score (0–16)

OlhosMotoraTroncoRespiração
4 abertos, segue ou pisca ao comando4 polegar, punho ou V ao comando4 pupilar e corneano presentes4 não intubado, regular
3 abertos, não segue3 localiza a dor3 uma pupila fixa3 não intubado, Cheyne-Stokes
2 abrem a voz alta2 flexão à dor2 pupilar ou corneano ausente2 não intubado, irregular
1 abrem à dor1 extensão à dor1 pupilar e corneano ausentes1 intubado, respira acima do ventilador
0 fechados à dor0 nenhuma ou mioclonia generalizada0 pupilar, corneano e tosse ausentes0 intubado, apneia

Vantagens no intubado: não depende de verbal, avalia tronco e detecta locked-in (olhos seguem/piscam ao comando).

Andar da disfunção no coma estrutural (deterioração rostrocaudal)

NívelPupilasMovimentos ocularesRespiraçãoMotor
DiencéfaloPequenas, reativasOculocefálico e oculovestibular presentes; olhos em posição primária ou desvio conjugadoCheyne-StokesDecorticação (flexão de MMSS, extensão de MMII)
MesencéfaloMédias (4–6 mm), fixas, irregularesOculocefálico alterado, ausência de adução (III), skewHiperventilação neurogênica centralDescerebração (extensão e pronação de MMSS, extensão de MMII)
PontePuntiformesAbolidos (VI, PPRF); bobbingApnêustica (pausa inspiratória)Descerebração → flacidez; Babinski bilateral
BulboDilatadas ou médias fixasAbolidosAtáxica (Biot) → apneiaFlacidez; instabilidade cardiovascular
Decorticação × descerebraçãoDecorticação: lesão acima do núcleo rubro (hemisférios, cápsula, diencéfalo) — o rubroespinhal preservado flete os braços. Descerebração: lesão entre o núcleo rubro e os núcleos vestibulares (mesencéfalo/ponte) — o vestibuloespinhal estende tudo. São associações clássicas: não localizam com precisão isoladamente; posturas também podem ocorrer em disfunções metabólicas. Mudança nova exige reavaliação urgente.
Coma metabólicoPupilas reativas (mesmo pequenas), movimentos oculares errantes conjugados preservados, sem assimetria motora, asterixis/mioclonia/tremor, respiração variável. Exceções que confundem: anticolinérgicos (midríase), opioides (miose), hipoglicemia e encefalopatia hepática (podem ter sinal focal), barbitúricos/hipotermia (pupilas fixas).

Herniações

TipoMecanismoSemiologia
Uncal (transtentorial lateral)Úncus comprime III, pedúnculo e ACPMidríase ipsilateral → ptose e oftalmoplegia → hemiparesia contralateral (ou ipsilateral por Kernohan) → rebaixamento → descerebração; infarto occipital pela ACP
Central (transtentorial)Diencéfalo desce pela incisuraPode haver deterioração rostrocaudal, sem sequência obrigatória; hemorragias de Duret no tronco
SubfalcinaGiro do cíngulo sob a foiceParesia crural contralateral (ACA comprimida), cefaleia ou rebaixamento; pode ser clinicamente discreta, com desvio identificado na imagem
TonsilarAmígdalas cerebelares no forame magnoRigidez de nuca, postura de opistótono, bradicardia/hipertensão (Cushing), apneia súbita; lesões de fossa posterior, punção lombar em HIC
AscendenteCerebelo sobe pela incisuraParinaud, pupilas médias, hidrocefalia obstrutiva; após drenagem ventricular em lesão de fossa posterior
Sinais de herniação: agir antes da imagemCabeceira a 30°, cabeça neutra, normotermia, PaCO2 35–40 (hiperventilação breve só como ponte), salina hipertônica ou manitol, sedação/analgesia adequada, corrigir hiponatremia, TC imediata e neurocirurgia. Tríade de Cushing (hipertensão, bradicardia, respiração irregular) é tardia.

Morte encefálica Resolução CFM 2.173/2017

Pré-requisitos

  • Lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e capaz de causar morte encefálica.
  • Ausência de fatores tratáveis que confundam: hipotermia (temperatura > 35 °C), hipotensão (PAS ≥ 100 mmHg ou PAM ≥ 65 mmHg), distúrbios metabólicos graves, intoxicação, sedativos e bloqueadores neuromusculares (respeitar meia-vidas; dosar quando possível).
  • Tratamento e observação hospitalar por no mínimo 6 h após o estabelecimento do coma. Na encefalopatia hipóxico-isquêmica: mínimo de 24 h após a parada cardiorrespiratória ou após o reaquecimento na hipotermia terapêutica.
  • Saturação arterial de oxigênio > 94% e condições clínicas adequadas antes de iniciar os procedimentos; o teste de apneia exige preparo e monitorização conforme a resolução completa.

Procedimento

  • Dois exames clínicos por dois médicos diferentes, capacitados, não pertencentes à equipe de transplante; intervalo mínimo de 1 h (≥ 2 anos de idade; intervalos maiores em crianças menores).
  • Um teste de apneia que documente ausência de movimentos respiratórios com PaCO2 final > 55 mmHg, seguindo preparo, técnica e critérios de interrupção do protocolo completo.
  • Um exame complementar obrigatório: ausência de fluxo (angiografia, Doppler transcraniano, cintilografia) ou de atividade elétrica (EEG) ou metabólica.

Exame clínico: reflexos de tronco que devem estar ausentes

  • Coma não perceptivo, sem resposta motora supraespinhal a estímulos adequados; reflexos espinhais podem persistir. Glasgow isolado não determina morte encefálica.
  • Pupilas arreativas à luz; o tamanho isolado não diagnostica morte encefálica.
  • Reflexo corneano ausente.
  • Reflexo oculocefálico ausente, quando a manobra for segura; não mobilizar pescoço com suspeita de instabilidade cervical. Impedimentos devem seguir a documentação prevista na resolução.
  • Reflexo vestíbulo-calórico ausente, testado por profissional capacitado após avaliação do ouvido e segundo a técnica completa do CFM.
  • Reflexo de tosse ausente; o reflexo do vômito não integra a lista específica de reflexos obrigatórios da Resolução CFM 2.173/2017.
  • Teste de apneia positivo.
Não confundirLocked-in (consciente, move os olhos verticalmente), Guillain-Barré fulminante, botulismo, hipotermia, intoxicação por baclofeno/barbitúricos e bloqueio neuromuscular residual podem mimetizar ausência de reflexos de tronco. A determinação exige exclusão de confundidores e aplicação integral da norma. Esta síntese educacional não autoriza executar ou concluir o protocolo.
S14 · Ferramentas

Localizador de lesão

Marque os achados do exame. O motor organiza 34 padrões topográficos com pesos didáticos a favor e contra. Os pontos e barras são escores heurísticos relativos, sem validação clínica; não representam probabilidade, sensibilidade ou certeza diagnóstica. Um padrão omitido ou pouco pontuado continua possível. Achado desmarcado significa não informado, não ausente. Use para estudo e construção de diferenciais; avaliação clínica e exames orientam a decisão.

Achados do exame

0 achados marcados
Atualiza também a cada clique.
Nenhum achado marcado ainda.
S15 · Ferramentas

Treino: casos e flashcards

Vinte e oito vinhetas com uma pergunta cada — onde está a lesão — e quarenta cartões de recuperação ativa. Responda antes de olhar.

Casos de topografia

Escolha a localização. A explicação aparece após a resposta.
Caso 1 / 28Acertos: 0 · Erros: 0

Flashcards

Clique no cartão para virar. Marque se acertou para tirar da fila desta sessão.
Cartão 1 / 40Na fila: 40
Pergunta
S16 · Ferramentas

Tabelas rápidas

Colas de bolso para o corredor: o que precisa estar na cabeça antes de abrir o prontuário.

Estrutura lesadaDéficitLado do déficitOnde cruza
Córtex motor / cápsula / pedúnculoHemiparesiaContralateralDecussação das pirâmides (bulbo)
Medula (corticoespinhal lateral)Paresia UMNIpsilateralJá cruzou
Cordão posteriorVibração / propriocepçãoIpsilateral (na medula)Lemnisco medial (bulbo)
Espinotalâmico na medulaDor / temperaturaContralateral, 1–2 segmentos abaixoComissura branca anterior
Núcleo espinal do V (bulbo)Dor / temperatura na faceIpsilateralCruza após o núcleo
CerebeloAtaxiaIpsilateralDupla decussação
Núcleos de nervos cranianosParalisia do nervoIpsilateral—
Fibras corticobulbares (VII inferior, XII)Face central, línguaContralateralNa ponte / bulbo
Campo ocular frontalDesvio do olharOlha para a lesãoPPRF contralateral
PPRF / núcleo do VIDesvio do olharOlha para longe da lesão—
Trato óptico / radiação / occipitalHemianopsiaContralateralQuiasma (fibras nasais)
Via simpática (qualquer ordem)HornerIpsilateralNão cruza
Núcleo subtalâmicoHemibalismoContralateral—
Hemisfério direito (parietal)NegligênciaDo lado esquerdo do espaço—
  1. Há sinal cortical? (afasia, negligência, hemianopsia, crise, apraxia) → hemisfério.
  2. Há sinal cruzado? → tronco; o nervo craniano diz o andar.
  3. Há nível sensitivo? → medula; RM urgente se déficit motor ou esfincteriano.
  4. A face participa? Sim = acima do bulbo médio. Não = bulbo medial ou medula.
  5. A fraqueza é proporcionada? Sim = cápsula/ponte. Braquiofacial = ACM. Crural = ACA.
  6. UMN ou LMN? Reflexos, tônus, Babinski, atrofia, fasciculações. Lembrar da fase flácida aguda.
  7. O sensitivo está normal apesar da fraqueza? → corno anterior, junção, músculo ou lesão motora pura.
  8. Distribuição periférica? Dermátomo = raiz; território = nervo; bota-luva = polineuropatia; multirradicular num membro = plexo.
  9. Proximal ou distal? Fatigável? Proximal = músculo; distal = nervo; fatigável = junção.
  10. Há ataxia sem fraqueza? Considerar cerebelo, vias proprioceptivas e sistema vestibular; integrar olhos, fala, marcha e sensibilidade.
  11. Pupilas e olhos? Anisocoria, Horner, INO, desvio conjugado, nistagmo central.
  12. Como começou e como evolui? Súbito, paroxístico, subagudo, progressivo, flutuante.
ReflexoNível
MandibularPonte (V)
BicipitalC5–C6
EstilorradialC5–C6
TricipitalC7
Flexor dos dedosC8–T1
Cutâneo-abdominaisT7–T12
CremastéricoL1–L2
PatelarL2–L4
AquileuS1–S2
Bulbocavernoso / analS2–S4
MarcoDermátomo
PolegarC6
Dedo médioC7
Dedo mínimoC8
MamiloT4
XifoideT6
UmbigoT10
InguinalL1
Maléolo medialL4
Dorso do pé / háluxL5
Borda lateral do péS1
PeríneoS2–S5
EpônimoLocalAssinatura
WeberMesencéfalo ventralIII ipsi + hemiparesia contra
ClaudeMesencéfalo tegmentoIII ipsi + ataxia contra
BenediktMesencéfaloIII ipsi + hemiparesia + movimentos anormais contra
ParinaudMesencéfalo dorsalOlhar vertical, luz-perto, convergência-retração, Collier
Millard-GublerPonte ventralVI + VII ipsi + hemiparesia contra
FovillePonte dorsalOlhar conjugado + VII ipsi + hemiparesia contra
WallenbergBulbo lateralVertigem, Horner, disfagia, face ipsi, corpo contra; geralmente sem paresia no padrão clássico
DejerineBulbo medialXII ipsi + hemiparesia + lemnisco contra
Dejerine-RoussyTálamoHemianestesia + dor central
Brown-SéquardHemimedulaUMN + propriocepção ipsi; dor/temperatura contra
GerstmannGiro angular EAcalculia, agrafia, agnosia digital, desorientação D–E
BalintParieto-occipital bilateralSimultanagnosia, apraxia ocular, ataxia óptica
AntonOccipital bilateralCegueira cortical negada
Foster KennedyFrontobasalAtrofia óptica ipsi + papiledema contra + anosmia
Klüver-BucyTemporal bilateralHiperoralidade, hipersexualidade, placidez, agnosia visual
KorsakoffCorpos mamilares / tálamoAmnésia anterógrada + confabulação
Ramsay HuntGânglio geniculadoPFP + vesículas + otalgia (VZV)
Miller FisherNervos periféricos (anti-GQ1b)Oftalmoplegia, ataxia, arreflexia
VernetForame jugularIX, X, XI
Collet-SicardBase do crânioIX–XII
GradenigoÁpice petrosoV + VI + otite
Tolosa-HuntSeio cavernosoOftalmoplegia dolorosa, responde a corticoide
Hakim-AdamsHidrocefalia de pressão normalMarcha apráxica, demência, incontinência
Lance-AdamsPós-anóxicaMioclonia de ação crônica
KernohanPedúnculo contralateral (herniação)Hemiparesia ipsilateral à lesão (falso localizatório)
1
Wallenberg não tem hemiparesia. Se tem, a lesão é maior (bulbo medial junto) ou a resposta é outra.
2
Afasia fluente com repetição ruim e compreensão boa é condução, não Wernicke.
3
Pé caído com inversão preservada é fibular; com inversão fraca e dor lombar é L5.
4
Paralisia do III com pupila poupada em diabético é isquêmica; com pupila é aneurisma até angio-TC.
5
AVC agudo pode ser flácido e arreflexo; Babinski é o sinal de UMN que já está lá.
6
Head impulse normal na vertigem aguda é sinal de alarme, não de tranquilidade.
7
Sinais meníngeos ausentes não afastam meningite; a sensibilidade varia entre sinais e populações.
8
Paralisia facial periférica com VI ou hemiparesia contralateral é ponte, não Bell.
9
Miastenia tem pupilas normais; botulismo tem midríase; Horner tem miose.
10
Nível sensitivo clínico fica 1–2 segmentos abaixo da lesão: peça a RM cobrindo acima.
11
Cone tende a alteração esfincteriana precoce e simetria; cauda tende a dor radicular e assimetria. Há sobreposição: não esperar retenção completa para investigar.
12
Hemianopsia com preservação macular e sem paresia é ACP; com hemiplegia e sem sinais corticais é coroidea anterior.
13
Hemiparesia ipsilateral à midríase pode ser Kernohan: não inverta o lado da craniotomia pela clínica.
14
Língua e mandíbula desviam para a lesão; úvula desvia para o lado são.
15
Ataxia + oftalmoplegia + arreflexia é Miller Fisher; ataxia + oftalmoplegia + confusão é Wernicke (tiamina parenteral prontamente; nunca atrasar a correção de hipoglicemia para aguardá-la).
16
Fraqueza proximal + CK alta + sensitivo normal é músculo; fraqueza proximal + arreflexia que melhora com esforço + boca seca é LEMS.
17
Morte encefálica exige dois exames clínicos, um teste de apneia e um exame complementar (CFM 2.173/2017).
18
Horner doloroso agudo é dissecção de carótida até prova em contrário.
S18 · Turbo TEMI 360 X · ver → localizar → recuperar

Atlas de raciocínio neurológico

Escolha uma prancha. Siga a via, diga onde cruza e explique o lado do déficit antes de revelar a resposta. Os esquemas representam padrões clássicos; anatomia individual, lesões extensas e quadros mistos exigem contexto.

Ilustração conceitual do cérebro, tronco e medula, em azul, lavanda e turquesa, sobre fundo marfim.

Um neuroeixo. Muitas pistas.

O sintoma inicia a investigação. A combinação de distribuição, lateralidade, reflexos e sinais associados constrói uma hipótese testável.

Imagem conceitual gerada para o módulo. As cores são ilustrativas e não correspondem a territórios vasculares ou funções.

Três vias longas, com cruzamento no bulbo ou na medula e implicação para a lateralidade.
Via motora e cordão posterior cruzam no bulbo; a via espinotalâmica cruza na medula. Esquema simplificado.

Recuperação ativa

Uma hemilesão medular direita causa qual combinação de perdas abaixo da lesão?

Abrir prancha em tamanho completo ↗ · Ver as dez pranchas do módulo principal ↗

S19 · Estudo dirigido · um passo por vez

Sua próxima sessão de estudo

Escolha o tempo disponível e siga a sequência. A marcação registra apenas progresso de estudo neste navegador; não preencha dados de pacientes.

Revisão rápida: método, uma prancha e recuperação ativa.

Como transformar a revisão em memória utilizável

1 · Descreva

Troque “neurológico alterado” por um achado examinável: queda com pronação, dismetria, perda de vibração, parafasia.

2 · Refute

Nomeie a hipótese e busque uma contradição. Afasia com hemiparesia não é automaticamente uma lacuna capsular pura; sinais associados podem mudar o nível.

3 · Recupere

Feche o texto, desenhe o cruzamento e explique o caso em voz alta. Nos flashcards, mantenha na fila aquilo que ainda não consegue justificar.

As trilhas são sugestões editoriais de organização, não um cronograma obrigatório nem uma escala validada de competência. Retome pelo ponto que ficou pendente.

S17 · Referências e notas

Fontes, limites e revisão

Bases do conteúdo

Estudo primário de 2025: fraqueza da face superior na paralisia facial central após AVC — sustenta a ressalva de que a fronte isoladamente não exclui lesão supranuclear.

Notas de uso

Revisão documental assistidaMaterial educacional para estudo e raciocínio; fontes oficiais consultadas em 05/09/2026. Esta revisão não equivale a homologação clínica nem a revisão humana concluída. Condutas exigem avaliação individual e protocolos vigentes; o localizador usa pesos didáticos não validados e não substitui exame, imagem ou equipe especializada.
Persistência localChecklist do exame, placar do quiz e fila de flashcards ficam apenas neste navegador (armazenamento local) e podem ser apagados pelo próprio navegador. As respostas dessas ferramentas não são enviadas pelo módulo; recursos externos da página, como fontes tipográficas, podem gerar solicitações de rede.

Módulo produzido para o AldenirMed89 · seção Semiologia Topográfica Neurológica · v1.1 (setembro/2026). Sugestões de correção: registrar na fila de revisão do site.

Atlas visual · 20 imagens widescreen

Abra uma prancha, descreva o que reconhece e confira a legenda. Figuras sintéticas e esquemáticas, em revisão médica.

N01 · Córtex funcional
Vista lateral do cérebro com regiões corticais em cores sobre fundo azul-escuro.
Cores destacam os lobos e as regiões pré e pós-central. Os limites são didáticos, não um mapa individual de localização.
Correlação: Neuroanatomia e localização corticalBaixar PNG
N02 · Rede da linguagem
Cérebro com conexões esquemáticas entre regiões envolvidas na linguagem.
A linguagem depende de redes distribuídas; os destaques não equivalem a centros isolados nem definem sozinhos um subtipo de afasia.
Correlação: Linguagem e afasiasBaixar PNG
N03 · Cápsula interna
Corte do cérebro destacando feixes da cápsula interna.
A cápsula interna concentra fibras em um espaço pequeno. A lateralidade e os sinais associados devem ser analisados no exame clínico.
Correlação: Síndrome motora subcorticalBaixar PNG
N04 · Via corticoespinal
Trajeto motor esquemático que cruza no bulbo e desce no lado oposto da medula.
Visão conceitual do eixo córtex–tronco–medula. A maioria das fibras cruza no bulbo caudal; não utilizar o traçado artístico como atlas de tratos.
Correlação: Força e sinais piramidaisBaixar PNG
N05 · Pesquisa do reflexo patelar
Examinador percute o tendão patelar de uma pessoa sentada com a perna relaxada.
A percussão é feita no tendão patelar com o membro relaxado. O reflexo depende do nervo femoral e dos segmentos L2–L4; o nível de uma lesão exige correlação com o exame.
Correlação: Reflexos profundosBaixar PNG
N06 · Pesquisa da resposta plantar
Instrumento rombo na borda lateral do calcanhar para pesquisa da resposta plantar.
Estimule a borda lateral da planta, do calcanhar ao antepé, seguindo medialmente ao final. Interprete a resposta dos dedos com idade, técnica e demais achados.
Correlação: Sinais de liberação piramidalBaixar PNG
N07 · Nervo periférico e músculo
Membro superior com nervos em transparência e detalhe ampliado de fascículos.
Raiz, plexo e nervo periférico produzem distribuições distintas. Trajetos são simplificados e o detalhe fascicular foi ampliado; a localização exige correlacionar força, sensibilidade e reflexos.
Correlação: Neurônio motor inferior e sistema periféricoBaixar PNG
N08 · Junção neuromuscular
Terminal nervoso, vesículas e receptores em uma junção neuromuscular ampliada.
A transmissão entre nervo e músculo depende de liberação, receptores e resposta da fibra. A imagem é uma representação molecular simplificada.
Correlação: Fatigabilidade e transmissão neuromuscularBaixar PNG
N09 · Modalidades sensitivas
Mão e antebraço com receptores sensitivos e fuso muscular ampliados.
Tato, dor, temperatura, vibração e posição articular devem ser examinados separadamente e comparados entre os lados. Receptores ampliados e distribuídos de forma esquemática; as posições ilustradas não definem territórios exclusivos.
Correlação: Sensibilidade e propriocepçãoBaixar PNG
N10 · Medula em corte transversal
Corte transversal da medula com substâncias cinzenta e branca e raízes nervosas.
A organização transversal da medula ajuda a correlacionar sinais motores, sensitivos e autonômicos. Os territórios coloridos são esquemáticos.
Correlação: Síndromes medularesBaixar PNG
N11 · Tronco encefálico
Tronco encefálico com ponte, bulbo e conexões nervosas representadas artisticamente.
Mesencéfalo, ponte e bulbo integram vias longas e funções de nervos cranianos. A imagem apoia a orientação espacial, não a localização exata de núcleos.
Correlação: Síndromes alternas e pares cranianosBaixar PNG
N12 · Exame das pupilas
Pessoa com os olhos abertos enquanto uma lanterna ilumina um deles.
Compare tamanho, simetria e respostas direta e consensual. A iluminação da prancha é ilustrativa e não estabelece diagnóstico.
Correlação: Reflexos pupilaresBaixar PNG
N13 · Exame da motilidade ocular
Pessoa acompanha lateralmente o dedo de uma examinadora com os olhos.
O paciente acompanha um alvo com os olhos, mantendo a cabeça imóvel. A avaliação inclui amplitude, alinhamento, diplopia e nistagmo, conforme a posição do olhar.
Correlação: Pares III, IV e VIBaixar PNG
N14 · Motricidade da face
Face com assimetria do sorriso e músculos faciais parcialmente sobrepostos.
Observe fronte, fechamento ocular e sorriso em conjunto. A presença ou ausência de fraqueza frontal, isoladamente, não define a origem central ou periférica.
Correlação: Nervo facial e paresia facialBaixar PNG
N15 · Via óptica
Dois olhos conectados ao quiasma óptico com fibras cruzadas e não cruzadas em cores.
As fibras nasais cruzam no quiasma e as temporais permanecem ipsilaterais. A prancha não representa defeitos de campo visual individuais.
Correlação: Visão e localização topográficaBaixar PNG
N16 · Cerebelo e coordenação
Cerebelo com folíolos, vermis e corte mostrando a substância branca ramificada.
Vermis, hemisférios e conexões cerebelares contribuem para equilíbrio e coordenação. As divisões funcionais não têm limites rígidos.
Correlação: Síndrome cerebelarBaixar PNG
N17 · Prova índice–nariz
Pessoa leva o indicador ao nariz enquanto a examinadora oferece um alvo.
A precisão, a decomposição e a oscilação do movimento são avaliadas durante a tarefa. Uma imagem estática não demonstra o desempenho completo.
Correlação: Dismetria e coordenação apendicularBaixar PNG
N18 · Teste de Romberg
Pessoa em pé, pés juntos e olhos fechados, com examinadora próxima para proteção.
A piora ao fechar os olhos sugere dependência visual para o equilíbrio. Romberg não deve ser tratado como sinônimo de prova cerebelar.
Correlação: Equilíbrio e aferência proprioceptivaBaixar PNG
N19 · Marcha parkinsoniana
Pessoa mais velha caminhando com postura fletida e pequeno balanço dos braços.
Postura fletida, passos curtos e menor balanço dos braços são pistas a integrar com bradicinesia, rigidez e outros achados.
Correlação: Marcha e movimentos anormaisBaixar PNG
N20 · Pesquisa de sensibilidade vibratória
Base de um diapasão apoiada sobre o hálux, com as hastes voltadas para cima.
A vibração é testada sobre proeminências ósseas e comparada distal e proximalmente. Integre a resposta com posição articular e demais modalidades.
Correlação: Exame sensitivo distalBaixar PNG