🧠⚡ AVC Agudo
Código AVC, reperfusão, neuroimagem, Neuro UTI, prevenção secundária e preparação TEMI em uma página viva e interconectada.
1. Assunto principal
AVC Agudo — emergência tempo-dependente focada em reconhecer, reperfundir quando indicado e prevenir lesão secundária.
2. Definição/fisiopatologia/quadro/diagnóstico/tratamento
- 🧠 Definição: AVC agudo é déficit neurológico focal súbito por interrupção do fluxo sanguíneo cerebral ou sangramento intracraniano; no hub, o foco principal é AVC isquêmico agudo, sem esquecer diferenciação rápida com AVCh.
- ⏱️ Tempo é cérebro: a velocidade de reperfusão modifica prognóstico funcional; cada minuto sem fluxo amplia core isquêmico e penumbra vulnerável.
- 🧬 Core isquêmico: tecido com dano energético avançado, falência de bomba iônica, edema citotóxico e baixa chance de recuperação.
- 🌗 Penumbra: tecido hipoperfundido ainda viável; é o alvo fisiopatológico da trombólise e trombectomia.
- 🩸 Etiologias TOAST: aterotrombótico de grandes artérias, cardioembólico, lacunar, outras causas determinadas e causa indeterminada.
- ❤️ Cardioembolismo: fibrilação atrial, trombo intracavitário, valvopatias e cardiomiopatia podem produzir oclusões proximais graves.
- 🧱 Aterosclerose: estenose carotídea/intracraniana instável pode gerar embolia artério-arterial ou hipoperfusão.
- 🧂 Pequenos vasos: hipertensão, diabetes e lipohialinose levam a síndromes lacunares; atenção porque déficit pode ser incapacitante mesmo com NIHSS baixo.
- 🧨 Dissecção arterial: causa importante em jovens; pensar em dor cervical/cefaleia, trauma, manipulação cervical e síndrome de Horner parcial.
- 🦠 Causas infecciosas/inflamatórias: endocardite, vasculites, estados pró-trombóticos e neoplasias entram no diferencial etiológico.
- ⚡ Quadro clínico súbito: paresia, afasia, disartria, hemianopsia, negligência, ataxia, vertigem central, alteração visual ou rebaixamento.
- 🗣️ Afasia: sugere hemisfério dominante; não confundir com disartria isolada.
- 👁️ Negligência: pista de hemisfério não dominante, muitas vezes com AVC extenso e alto risco de subestimação.
- 🧭 Circulação posterior: tontura, diplopia, disfagia, ataxia, nistagmo, pares cranianos, queda de consciência; TC inicial pode ser pouco sensível.
- 🚫 Mimetizadores: hipoglicemia, crise epiléptica/Todd, enxaqueca, conversivo, intoxicação, sepse, tumor, distúrbios metabólicos e vestibulopatias.
- 🩻 TC sem contraste: primeiro exame para excluir hemorragia e grandes sinais precoces; não deve atrasar reperfusão quando elegível.
- 🧲 AngioTC: fundamental se suspeita de oclusão de grande vaso; organiza fluxo para trombectomia.
- 🧠 ASPECTS: estima extensão de isquemia em território de ACM; ajuda a estratificar core e decisão endovascular.
- 📊 NIHSS: quantifica déficit e comunica gravidade, mas não substitui julgamento de déficit incapacitante.
- 💉 Trombólise IV: indicada em pacientes elegíveis com déficit incapacitante, especialmente até 4,5h; AHA/ASA 2026 endossa alteplase ou tenecteplase nessa janela conforme protocolo.
- 🧲 Trombectomia mecânica: padrão para oclusão de grande vaso em pacientes selecionados; evidência recente amplia elegibilidade para alguns casos de core maior e basilar.
- 🎚️ PA antes da trombólise: meta clássica <185/110 mmHg antes de iniciar trombolítico e <180/105 mmHg nas 24h subsequentes.
- 🚨 PA pós-EVT: evitar hipotensão; redução intensiva para PAS <140 mmHg não é recomendada de rotina após reperfusão completa segundo AHA/ASA 2026.
- 🍬 Glicemia: corrigir hipoglicemia imediatamente; evitar controle intensivo 80–130 mg/dL por risco de hipoglicemia grave.
- 🌡️ Temperatura: febre piora lesão secundária; investigar e tratar causas, manter normotermia.
- 🫁 Oxigenação: ofertar O₂ se hipoxemia; não hiperoxigenar desnecessariamente paciente normoxêmico.
- 🥤 Disfagia: triagem antes de dieta/VO; prevenção de broncoaspiração é tão importante quanto reperfusão para prognóstico global.
- 🛌 Unidade de AVC/UTI: monitorização neurológica seriada, PA, ECG, glicemia, temperatura e complicações.
- 🧯 Complicações: transformação hemorrágica, edema maligno, crise convulsiva, aspiração, delirium, TVP/TEP, ITU, úlcera por pressão.
- 🔁 Prevenção secundária: antiagregação, anticoagulação quando indicada, estatina, controle de PA/DM, investigação etiológica e reabilitação precoce.
3. Análise meticulosa
- O AVC agudo deve ser tratado como emergência tempo-dependente, não como consulta neurológica lenta.
- A pergunta operacional inicial é: há déficit neurológico focal súbito e potencialmente incapacitante?
- A segunda pergunta é: qual foi o último momento em que o paciente foi visto bem?
- A terceira pergunta é: a TC excluiu hemorragia?
- A quarta pergunta é: há suspeita de oclusão de grande vaso?
- O algoritmo deve rodar em paralelo: história breve, NIHSS, glicemia, acesso venoso, labs, TC e chamada da equipe.
- A decisão de trombólise não deve esperar todos os exames em todos os pacientes; precisa esperar o indispensável conforme protocolo.
- O NIHSS baixo não exclui trombólise se o déficit for incapacitante, como afasia ou hemianopsia relevante.
- Déficit não incapacitante dentro de 4,5h tende a favorecer dupla antiagregação em vez de trombólise, conforme diretrizes recentes.
- A angioTC muda o destino: se houver OGV, o paciente deve entrar em fluxo endovascular.
- Centros sem trombectomia precisam ter plano de transferência hiperaguda, sem perder janela de trombólise quando indicada.
- Tenecteplase ganhou força por bolus único, logística e evidência de não inferioridade; no Brasil, checar aprovação, disponibilidade e protocolo institucional.
- Alteplase segue amplamente usada, com dose clássica 0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% bolus e restante em 60 minutos.
- No pós-trombolítico, evitar antiagregante/anticoagulante nas primeiras 24h até imagem de controle conforme protocolo.
- No pós-EVT, a pressão deve ser individualizada por grau de reperfusão, risco hemorrágico e perfusão colateral.
- Circulação posterior exige humildade diagnóstica: sintomas podem parecer vestibulares ou inespecíficos.
- AVC de basilar é uma emergência de alto risco; rebaixamento, tetraparesia ou sinais cruzados exigem angioimagem urgente.
- Edema maligno de ACM deve ser antecipado em jovens, NIHSS alto, infarto extenso e rebaixamento progressivo.
- Craniectomia descompressiva salva vida em selecionados; o tempo de chamada neurocirúrgica é parte do bundle.
- Disfagia deve ser encarada como evento de segurança, não detalhe de enfermagem.
- Delirium pós-AVC piora desfechos; tratar dor, sono, privação sensorial, retenção urinária, constipação e infecção.
- Hiperglicemia é marcador de estresse e mau prognóstico, mas controle intensivo agressivo pode causar hipoglicemia e dano.
- Hipotensão é inimiga da penumbra; tratar choque, sepse, arritmias, sangramento e desidratação rapidamente.
- A investigação etiológica começa cedo: ECG, telemetria, eco, vasos cervicais/intracranianos, perfil lipídico, HbA1c e causas especiais.
- A prevenção secundária deve ser definida antes da alta, com data/critério para iniciar anticoagulação quando FA/cardioembolismo.
- Reabilitação precoce é tratamento modificador de funcionalidade, não etapa tardia decorativa.
- Comunicação com família precisa explicar janela, riscos, benefício absoluto, chance de sangramento e plano de monitorização.
- Documentação é defesa clínica: tempo zero, NIHSS, PA, glicemia, TC, contraindicações, decisão e consentimento/justificativa.
- O módulo AVC deve dialogar com hipertensão, anticoagulação, neuroimagem, delirium, disfagia, sepse, VM e cuidados paliativos.
- Mensagem-mãe: remover atrasos evitáveis salva neurônios, função e vida.
4. Pontos para prática
- Ative Código AVC no primeiro contato com déficit focal súbito.
- Registre último visto bem com hora absoluta, não apenas 'há pouco tempo'.
- Cheque glicemia capilar imediatamente.
- Faça NIHSS rápido, mas não atrase TC por perfeccionismo.
- Leve direto para TC se estável; coleta e acesso podem ocorrer em paralelo.
- TC sem contraste é o divisor inicial: hemorrágico versus isquêmico/mimetizador.
- Solicite angioTC se suspeita de OGV ou déficit significativo.
- Não espere melhora espontânea quando déficit é incapacitante.
- Controle PA antes de trombólise se >185/110 mmHg.
- Evite queda brusca de PA; penumbra depende de perfusão.
- Confirme anticoagulantes e horário da última dose.
- Considere reversão quando AVCh ou procedimento urgente, conforme droga e protocolo.
- Trombólise: não atrasar por exames desnecessários em paciente elegível.
- Tenecteplase: logística ótima por bolus, mas depende de protocolo/local/bula.
- Alteplase: 0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% bolus, restante 60 min.
- Se OGV, acione centro endovascular mesmo se trombólise for feita.
- Mantenha cabeceira, aspiração disponível e proteção de via aérea se rebaixamento.
- Triagem de disfagia antes de dieta, água ou comprimido VO.
- Não prescreva AAS nas primeiras 24h pós-trombólise sem imagem de controle.
- Controle temperatura e trate febre.
- Monitore ECG para FA e arritmias.
- Mantenha SpO₂ adequada; O₂ se hipoxemia.
- Evite soro hipotônico; prefira soluções isotônicas quando necessário.
- Faça profilaxia de TEV quando seguro, com compressão pneumática e/ou heparina conforme cenário.
- Detecte edema maligno: piora do nível de consciência, vômitos, anisocoria, cefaleia.
- Chame neurocirurgia cedo em infarto extenso com risco de craniectomia.
- Use checklist de complicações a cada round.
- Planeje prevenção secundária antes de alta.
- Documente decisões e contraindicações com clareza.
- Reavalie metas a cada mudança neurológica.
5. Pontos TEMI
- NIHSS baixo não exclui trombólise se sintoma incapacitante.
- Déficit sensitivo isolado não incapacitante geralmente não justifica trombólise.
- TC normal não exclui AVC isquêmico hiperagudo.
- Hipoglicemia é mimetizador obrigatório de excluir.
- PA para trombólise: <185/110 antes; <180/105 depois.
- AAS geralmente após 24h e imagem de controle se trombólise.
- Alteplase dose: 0,9 mg/kg, máximo 90 mg.
- Tenecteplase é bolus único; dose mais usada em AIS: 0,25 mg/kg, máximo 25 mg, conforme protocolo.
- Não associar antitrombótico adjuvante para 'potencializar' trombólise.
- Trombectomia é para OGV em pacientes selecionados por tempo/imagem/clínica.
- Basilar pode ter janela de até 24h em selecionados e NIHSS significativo.
- ASPECTS baixo não é exclusão universal após estudos de large core; depende de critérios atuais.
- Wake-up stroke pode ser elegível se mismatch em RM/perfusão.
- Crise no início não exclui sempre, mas dificulta diagnóstico se NIHSS não confiável.
- Endocardite suspeita pesa contra trombólise pelo risco hemorrágico/micótico.
- AVC hemorrágico exige outro algoritmo: PA, reversão, neurocirurgia, UTI.
- Osmoterapia trata herniação/hipertensão intracraniana, não melhora desfecho de todo edema pequeno.
- Craniectomia em infarto maligno reduz mortalidade em selecionados.
- Glicemia intensiva 80–130 não é recomendada no AIS pela AHA/ASA 2026.
- Hiperoxigênio em normoxêmico não é tratamento neuroprotetor.
- Febre deve ser tratada e fonte investigada.
- Disfagia é causa importante de pneumonia aspirativa e pior prognóstico.
- DAPT é central em AIT/AVC menor não cardioembólico selecionado, não em todo AVC grande.
- Anticoagulação aguda plena não é rotina no AVC isquêmico cardioembólico.
- FA pós-AVC exige timing individualizado para DOAC/varfarina.
- Profilaxia de TEV precisa ponderar sangramento e imobilidade.
- Circulação posterior pode ter NIHSS subestimado.
- Aphasia isolada pode ser incapacitante.
- Tontura isolada periférica não é AVC até prova em contrário; mas sinais centrais mudam tudo.
- A prova adora tempo, PA, dose, contraindicações e pegadinhas de NIHSS baixo.
6. Pegadinhas
- Esperar o neurologista chegar para pedir TC.
- Não registrar último visto bem.
- Confundir horário de chegada com início dos sintomas.
- Ignorar glicemia capilar.
- Achar que TC normal descarta AVC.
- Perder OGV por não pedir angioTC.
- Negar trombólise por NIHSS baixo apesar de afasia incapacitante.
- Trombolisar déficit claramente não incapacitante sem discutir risco-benefício.
- Reduzir PA de forma agressiva e causar hipoperfusão.
- Dar AAS logo após trombólise antes de 24h/imagem.
- Esquecer disfagia e liberar água/comprimidos.
- Não monitorar deterioração por edema maligno.
- Atrasar neurocirurgia em infarto extenso.
- Tratar todo delirium com sedação excessiva.
- Não investigar FA paroxística.
- Não revisar anticoagulantes prévios.
- Não documentar contraindicações.
- Transferir sem estabilização mínima de via aérea/hemodinâmica.
- Usar oxigênio em excesso sem hipoxemia.
- Não envolver família em decisão de risco alto.
7. Memorizar
- FAST/SAMU: face, braço, fala, tempo.
- Último visto bem manda na janela.
- Glicemia capilar é sinal vital neurológico.
- TC sem contraste exclui hemorragia.
- AngioTC procura OGV.
- NIHSS comunica gravidade.
- NIHSS não mede tudo na circulação posterior.
- Déficit incapacitante importa mais que número isolado.
- Alteplase 0,9 mg/kg, máximo 90 mg.
- Alteplase: 10% bolus, 90% em 60 min.
- Tenecteplase: bolus único conforme protocolo.
- PA pré-trombólise <185/110.
- PA pós-trombólise <180/105.
- Evite PAS <140 agressivo pós-EVT de rotina.
- DAPT para AVC menor/AIT selecionado não cardioembólico.
- Sem antitrombótico nas primeiras 24h pós-trombólise.
- Imagem de controle antes de antiagregante pós-trombólise.
- Trombectomia para OGV selecionada.
- Basilar é emergência de altíssimo risco.
- ASPECTS avalia território ACM.
- Core grande não exclui automaticamente EVT nas diretrizes modernas.
- Wake-up stroke pode depender de mismatch.
- Hipoglicemia mimetiza AVC.
- Convulsão/Todd mimetiza AVC.
- Endocardite aumenta risco de sangramento com trombólise.
- Dissecção é causa em jovens.
- FA é causa comum de cardioembolismo.
- Telemetria importa.
- Eco pode revelar fonte embólica.
- Carótidas devem ser avaliadas.
- Febre piora lesão secundária.
- Hipoxemia mata penumbra.
- Hipotensão mata penumbra.
- Hiperglicemia piora desfecho; hipoglicemia é perigosa.
- Triagem de disfagia antes de VO.
- Mobilização e reabilitação precoce.
- Prevenir TVP.
- Prevenir úlcera por pressão.
- Prevenir pneumonia aspirativa.
- Edema maligno costuma piorar em 2–5 dias.
- Craniectomia deve ser precoce em selecionados.
- AVCh é outro protocolo.
- Reversão de anticoagulação salva no AVCh.
- DNR/paliativo não é abandono; é meta proporcional.
- Documentação salva o paciente e a equipe.
- Porta-agulha é métrica de qualidade.
- Porta-dispositivo é métrica de qualidade EVT.
- Unidade de AVC melhora desfechos.
- Educação da equipe reduz atrasos.
- Tempo perdido é neurônio perdido.
8. Atualizações
- AHA/ASA 2026 atualiza as recomendações de 2018/2019 para AIS.
- Maior reconhecimento de unidades móveis de AVC onde viáveis.
- Triagem pré-hospitalar deve considerar rede local e hospital EVT-capaz.
- Tenecteplase ou alteplase podem ser usados em janela de 4,5h conforme diretriz/protocolo.
- Déficit incapacitante dentro de 4,5h deve ser tratado rapidamente independentemente do NIHSS isolado.
- Déficit não incapacitante tem menor benefício de trombólise; DAPT tende a ser preferido.
- Trombólise em janela estendida 4,5–9h ou wake-up em selecionados por imagem avançada.
- Não usar antitrombóticos adjuvantes como argatroban/eptifibatide para melhorar efeito da IVT.
- EVT expandida para alguns pacientes com core isquêmico maior por imagem.
- EVT com forte recomendação para basilar até 24h em NIHSS ≥10 segundo AHA/ASA 2026.
- Primeiras recomendações pediátricas de AIS na diretriz AHA/ASA 2026.
- Controle glicêmico intensivo 80–130 mg/dL não recomendado.
- Redução intensiva de PAS <140 pós-IVT/EVT não melhora desfecho e pode causar dano após EVT.
- Large-core stroke passou de exclusão rígida para zona de seleção por imagem/benefício.
- MeVO/DMVO permanece área de pesquisa ativa.
- Biomarcadores pré-hospitalares podem mudar triagem futura.
- IA em imagem pode acelerar detecção de OGV.
- Protocolos CT-direct ganham relevância operacional.
- Telestroke continua essencial em redes sem neurologista 24h.
- Qualidade do sistema importa tanto quanto a droga.
- Time metrics devem ser auditadas mensalmente.
- Prevenção secundária personalizada ganha ênfase.
- DOACs modificaram prevenção em FA.
- Reversores de anticoagulantes são parte de prontidão do centro.
- Cuidados pós-reperfusão focam prevenção de lesão secundária.
- Reabilitação precoce e metas funcionais entram cedo.
- Equidade de acesso é alvo de melhoria.
- Fluxos regionais devem evitar transferências inúteis.
- Educação pública FAST continua indispensável.
- O futuro é rede integrada: pré-hospitalar, TC, IA, EVT, UTI e reabilitação.
9. Abordagem prática
- 0–1 min: reconhecer déficit focal súbito e acionar Código AVC.
- 1–2 min: ABCDE, glicemia, horário de último visto bem.
- 2–3 min: NIHSS rápido, medicações, anticoagulantes, comorbidades.
- 3–5 min: acesso venoso, coleta essencial, ECG sem atrasar imagem.
- 5–10 min: TC sem contraste; angioTC se déficit significativo/suspeita OGV.
- Pedir que equipe prepare trombolítico enquanto imagem é realizada.
- Checar PA e reduzir se >185/110 para trombólise.
- Excluir hemorragia e contraindicações absolutas.
- Discutir elegibilidade rapidamente com neurologia/telestroke.
- Obter consentimento conforme protocolo, sem atraso indevido em emergência.
- Administrar trombólise se elegível.
- Se OGV, acionar neurointervenção/transferência.
- Durante transferência, manter PA, via aérea, glicemia e comunicação do caso.
- Pós-trombólise: monitorização neurológica e PA seriada.
- Evitar punções invasivas desnecessárias nas primeiras 24h.
- Imagem de controle se piora neurológica ou rotina 24h.
- Iniciar antiagregante quando seguro conforme protocolo.
- Avaliar estatina de alta intensidade quando indicado.
- Triagem de disfagia antes de VO.
- Profilaxia de TEV conforme risco e segurança.
- Controle de temperatura e infecção.
- Manejo de dor, sono, delirium e mobilização.
- Investigar etiologia nas primeiras 24–72h.
- Definir plano de anticoagulação se FA/cardioembolismo.
- Solicitar fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional.
- Orientar família sobre sinais de piora.
- Definir metas de PA pós-fase aguda.
- Registrar indicadores: porta-TC, porta-agulha, porta-punção.
- Planejar alta com prevenção secundária.
- Agendar seguimento e reabilitação.
10. Beira-leito
🚨 Primeiro contato
ABCDE, glicemia, último visto bem, NIHSS, TC.
🧠 Decisão
IVT? EVT? AVCh? mimetizador?
🛡️ Segurança
PA, O₂, glicose, temperatura, disfagia, documentação.
11. Emergência
- Acionar equipe antes de concluir história longa.
- Glicemia capilar na chegada.
- Não dar dieta/água/comprimido até rastreio de disfagia.
- Checar anticoagulantes: varfarina, DOAC, heparina, antiplaquetários.
- Perguntar cirurgia/trauma/sangramento recente.
- Medir PA em ambos braços se contexto sugerir dissecção/aorta.
- TC sem contraste imediata.
- AngioTC se suspeita OGV, NIHSS alto, afasia, negligência, hemiplegia, desvio ocular, rebaixamento ou circulação posterior grave.
- Controlar PA com droga EV titulável se candidato à reperfusão.
- Não atrasar trombólise por Rx tórax/urina/lipídios.
- Se crise epiléptica, tratar crise e reavaliar déficit persistente.
- Se cefaleia súbita/meningismo, pensar hemorragia/subaracnoidea.
- Se febre/sopro/usuário droga EV, pensar endocardite.
- Se jovem com dor cervical, pensar dissecção.
- Se rebaixado, preparar via aérea sem hipotensão.
- Se vômitos/aspiração, proteger vias aéreas.
- Comunicar centro de AVC/trombectomia com hora, NIHSS, imagem e anticoagulante.
- Documentar decisão de elegibilidade.
- Monitorizar a cada 15 min durante/apos IVT inicial conforme protocolo.
- Se piora abrupta pós-trombólise: parar infusão, TC urgente e protocolo de sangramento.
12. Enfermaria
- Revisar diagnóstico sindrômico e etiológico diariamente.
- Checar imagem de controle e liberação de antiagregante/anticoagulante.
- Manter rastreio de disfagia e plano nutricional.
- Controle pressórico gradual conforme fase e etiologia.
- Investigar FA com ECG/telemetria/Holter se necessário.
- Avaliar carótidas e vasos intracranianos.
- Solicitar eco quando suspeita cardioembólica.
- Estatina de alta intensidade quando aterosclerótico/indicado.
- DAPT em casos selecionados de AIT/AVC menor não cardioembólico.
- Definir timing de anticoagulação em FA.
- Rastrear depressão, delirium e alterações cognitivas.
- Prevenir quedas.
- Prevenir broncoaspiração.
- Prevenir constipação e retenção urinária.
- Mobilização precoce com fisioterapia.
- Fono para deglutição e linguagem.
- Terapia ocupacional para funcionalidade.
- Educação familiar sobre sinais de alarme.
- Planejar alta, reabilitação e retorno.
- Garantir prescrição de prevenção secundária e adesão.
13. UTI
- Indicar UTI/Neuro UTI para rebaixamento, instabilidade, pós-EVT complexo, pós-trombólise com alto risco, edema maligno, AVCh, basilar, ventilação ou necessidade de DVA.
- Monitorização neurológica seriada com NIHSS/GCS/pupilas/motor a intervalos definidos.
- Meta de PA individualizada por reperfusão, risco hemorrágico e protocolo.
- Evitar hipotensão durante sedação, intubação, transporte e procedimentos.
- Cabeceira a 30° se risco de HIC/aspiração, salvo estratégia hemodinâmica específica.
- Via aérea: intubar se Glasgow baixo, aspiração recorrente, hipoxemia, falência ventilatória ou necessidade de procedimento seguro.
- Ventilação: normocapnia na maioria; hiperventilação apenas ponte em herniação iminente.
- Oxigenação: evitar hipoxemia; não hiperoxigenar sem necessidade.
- Temperatura: tratar febre e buscar fonte.
- Glicemia: alvo moderado, evitando hipoglicemia.
- Sódio/osmolaridade: evitar hipotonicidade; avaliar osmoterapia se HIC/herniacao.
- Edema maligno: vigilância 24–96h, especialmente ACM extenso.
- Acionar neurocirurgia cedo para craniectomia descompressiva em selecionados.
- Crises: tratar crise clínica/eletrográfica; profilaxia universal não é rotina no AVCi.
- Delirium: bundle não farmacológico, sono, dor, mobilização, óculos/aparelho auditivo.
- Sedação: mínima necessária para exame neurológico confiável.
- Nutrição: via enteral precoce quando segura; sonda se disfagia persistente.
- Aspiração: elevação cabeceira, higiene oral, avaliação fono.
- TEV: compressão pneumática; heparina quando seguro e indicada.
- Sangramento pós-IVT: protocolo de reversão/suporte, crioprecipitado conforme fibrinogênio/protocolo local.
- Pós-EVT: vigiar acesso arterial, sangramento, reperfusão, edema e transformação hemorrágica.
- Telemetria contínua para FA.
- Controle de dor e cefaleia sem mascarar deterioração.
- Evitar hiponatremia; investigar SIADH/cerebral salt wasting se necessário.
- Mobilização progressiva quando neurologicamente/hemodinamicamente seguro.
- Comunicação diária com família sobre prognóstico funcional e incertezas.
- Metas de cuidado proporcionais quando dano neurológico devastador.
- Indicadores de qualidade: tempo, complicações, pneumonia, disfagia, TEV, mortalidade, mRS.
- Interdisciplinaridade: neurologia, neurocirurgia, radiologia, UTI, enfermagem, fono, fisio, TO, nutrição, farmácia.
- Alta da UTI somente com plano de PA, alimentação, prevenção secundária e vigilância neurológica definidos.
14. Prescrição sugerida
⚠️ Modelo educacional; adaptar ao protocolo institucional.
- Dieta zero até triagem de deglutição/fono; após liberação, dieta conforme consistência segura.
- Cabeceira 30° se não houver contraindicação.
- Monitorização cardíaca contínua nas primeiras 24–72h ou conforme risco.
- Sinais vitais e neurológicos seriados conforme fase pós-reperfusão.
- Glicemia capilar seriada; corrigir hipoglicemia; evitar controle intensivo agressivo.
- Oxigênio apenas se hipoxemia ou desconforto, alvo institucional.
- Soro fisiológico 0,9% se necessidade de hidratação; evitar soluções hipotônicas.
- Controle de PA com anti-hipertensivo EV titulável se candidato a trombólise e PA >185/110.
- Manter PA <180/105 nas 24h pós-trombólise, salvo protocolo específico.
- Alteplase se elegível: 0,9 mg/kg EV, máximo 90 mg, 10% bolus, restante 60 min.
- Tenecteplase se elegível e protocolo permitir: dose institucional, frequentemente 0,25 mg/kg EV bolus, máximo 25 mg.
- Não administrar antiagregante/anticoagulante nas primeiras 24h pós-IVT até imagem de controle.
- AAS quando indicado e seguro se não trombolisado ou após 24h/imagem se trombolisado.
- DAPT se AVC menor/AIT alto risco não cardioembólico e protocolo indicar.
- Estatina de alta intensidade se indicação aterosclerótica/prevenção secundária.
- Anticoagulação para FA/cardioembolismo em timing individualizado após avaliar tamanho do infarto/sangramento.
- Profilaxia TEV mecânica com compressão pneumática se imobilizado.
- Heparina profilática quando risco/benefício permitir e fora de contraindicações.
- Antitérmico se temperatura elevada; investigar infecção.
- Antiemético se vômitos para reduzir aspiração.
- Analgesia simples, evitando sedação excessiva.
- Protetor gástrico apenas se indicação real de risco GI/UTI, não automático universal.
- Higiene oral e prevenção de pneumonia aspirativa.
- Mudança de decúbito e prevenção de lesão por pressão.
- Fisioterapia motora e respiratória precoce.
- Fonoaudiologia para deglutição/linguagem.
- Terapia ocupacional quando disponível.
- Solicitar ECG, HbA1c, perfil lipídico, função renal, eletrólitos, hemograma/coagulação conforme fase.
- Solicitar investigação etiológica: eco, vasos, telemetria/Holter conforme caso.
- Orientar equipe: chamar médico se cefaleia súbita, vômitos, piora NIHSS, hipertensão grave, sangramento ou rebaixamento.
15. Checklist round
- Último visto bem
- NIHSS inicial/atual
- TC/angioTC
- IVT/EVT documentado
- PA/glicemia/temperatura
- Disfagia
- TEV
- Telemetria
- Etiologia
- Reabilitação
- Prevenção secundária
- Família orientada
16. Informações extras
- 🔎 Informação extra: modelos regionais 'mothership' versus 'drip-and-ship' dependem de distância até centro EVT e eficiência de transferência.
- 🔎 Informação extra: IA de triagem em TC/angioTC pode reduzir tempo até neurointervenção, mas precisa validação local.
- 🔎 Informação extra: biomarcadores como GFAP e D-dímero são estudados para diferenciar AVCh/AVCi e prever OGV no pré-hospitalar.
- 🔎 Informação extra: AVC em jovem deve abrir trilha de dissecção, trombofilias selecionadas, SAF, drogas, PFO e vasculites.
- 🔎 Informação extra: AVC periprocedimento exige rastrear cateterismo, cirurgia, endocardite e manipulação vascular.
- 🔎 Informação extra: NIHSS subestima tronco/cerebelo; ataxia incapacitante e disfagia podem ser graves.
- 🔎 Informação extra: penumbra não é estática; colaterais boas podem manter tecido viável por mais tempo.
- 🔎 Informação extra: edema maligno após ACM pode se declarar depois da aparente estabilização inicial.
- 🔎 Informação extra: unidade de AVC reduz morte/dependência por organização multiprofissional, mesmo sem tecnologia extrema.
- 🔎 Informação extra: prevenção secundária é onde o internista salva o segundo AVC.
17. Escalas
NIHSS, ASPECTS, mRS, ABCD2, ICH Score e FOUR Score — ver Markdown completo para detalhes operacionais.
18. Imagens correlacionadas
19. Peculiaridades
- AVC com NIHSS baixo e afasia: baixo número, alto impacto funcional.
- AVC de basilar pode começar com tontura e náuseas.
- AVC cerebelar pode matar por compressão de tronco/hidrocefalia.
- Déficit flutuante pode indicar estenose crítica ou oclusão em evolução.
- Convulsão no início pode ser mimetizador ou consequência do AVC.
- Paciente anticoagulado exige hora exata da última dose.
- Insuficiência renal muda interpretação/segurança de DOAC.
- Endocardite muda radicalmente risco da trombólise.
- Dissecção pode ter dor antes do déficit.
- Migrânea com aura costuma ter progressão positiva dos sintomas, mas nem sempre.
- Hipoglicemia pode causar hemiparesia.
- Hiperglicemia grave pode piorar edema e prognóstico.
- AVC lacunar pode deteriorar nas primeiras 48h.
- AVC de hemisfério direito pode ser negligenciado pela família.
- Negligência aumenta risco de queda e baixa adesão.
- Hemianopsia impede dirigir mesmo com força preservada.
- AAS não resolve cardioembolismo por FA.
- Anticoagular cedo demais pode sangrar; tarde demais pode embolizar.
- FA paroxística exige busca ativa.
- AVC em território múltiplo sugere embolia.
- AVC com febre/sopro sugere endocardite.
- AVC com plaquetopenia/coagulopatia exige cautela extrema.
- AVC no pós-operatório tem contraindicações específicas.
- AVC no paciente crítico pode ser mascarado por sedação.
- Delirium pode ser primeiro sinal de complicação infecciosa/metabólica.
- Rebaixamento pós-AVC não é sempre sedativo: pensar edema, sangramento, crise.
- Piora após reperfusão pode ser hemorragia ou edema de reperfusão.
- Hipotensão pós-intubação pode ampliar infarto.
- Família frequentemente confunde 'melhorou' com ausência de risco.
- Alta sem reabilitação e prevenção secundária é falha terapêutica.
20. Mnemônicos
- ⏱️ TEMPO-CÉREBRO: Tempo zero, Excluir glicose, Mover para TC, PA, OGV, Contraindicações, Equipe, Reperfusão, Bundle, Reavaliação, Orientar.
- 🧠 NIHSS não é DESTINO: Déficit incapacitante, Escalas ajudam, Sintoma importa, Território posterior, Imagem, Número não manda sozinho, Observação clínica.
- 💉 ALTEPLASE 9-10-60-90: 0,9 mg/kg; 10% bolus; 60 min infusão; máximo 90 mg.
- 🎚️ PA 185/110 → 180/105: antes de trombólise abaixo de 185/110; depois manter abaixo de 180/105.
- 🧲 OGV = OLHO GRANDE VAI: Olhar desviado, Grande déficit, Voz/afasia, vai para angioTC/EVT.
- 🥤 DISFAGIA = D.I.E.T.A.: Deglutição testada, Interditar VO, Elevar cabeceira, Terapia fono, Aspiração prevenir.
- 🌊 EDEMA = PUPILA: Piora consciência, Urgência neurocirúrgica, Pressão intracraniana, Imagem, Linha média, Alarme.
- ❤️ FA pós-AVC = T.R.I.A.R.: Telemetria, Risco hemorrágico, Imagem/tamanho, Anticoagular no tempo, Retorno.
- 🚑 CÓDIGO AVC 5T: Tempo, Teste glicose, Tomografia, Trombolítico, Trombectomia.
- 🏆 TEMI AVC: Tempo, Elegibilidade, Metas de PA, Imagem, dose.
21. Flashcards
1. Qual o primeiro exame de imagem no AVC agudo?
2. Qual a dose clássica de alteplase no AVCi?
3. Qual a meta de PA antes da trombólise?
4. Qual a meta de PA após trombólise?
5. NIHSS baixo exclui trombólise?
6. O que é penumbra?
7. O que é core?
8. Quando pedir angioTC?
9. Qual mimetizador nunca esquecer?
10. Pode dar AAS logo após alteplase?
11. Qual complicação temida pós-trombólise?
12. Sinal de edema maligno?
13. Qual profissional é crucial para disfagia?
14. Febre no AVC deve ser ignorada?
15. Controle glicêmico intensivo 80–130 é indicado?
16. Trombectomia trata qual alvo?
17. Basilar ocluída é grave?
18. ASPECTS avalia qual território?
19. Qual o papel da unidade de AVC?
20. FA muda prevenção secundária?
21. Qual via evita broncoaspiração se disfagia?
22. O que fazer se piora durante alteplase?
23. O que é último visto bem?
24. Wake-up stroke pode reperfundir?
25. Déficit não incapacitante em 4,5h tende a quê?
26. Oxigênio em normoxêmico ajuda?
27. Hipotensão é perigosa por quê?
28. Qual escala de desfecho funcional comum?
29. Qual escala de gravidade neurológica no AVC?
30. Mensagem final do AVC?
22. Questões TEMI
- Alta
- AAS e observação apenas
- Considerar trombólise por déficit incapacitante se elegível
- Anticoagulação plena
- RM em 24h antes de decidir
✅ C — Afasia é déficit incapacitante; NIHSS baixo não exclui reperfusão.
- <220/120
- <185/110
- <160/90
- <140/90
- Não importa
✅ B — Meta clássica pré-trombólise é <185/110 mmHg.
- 0,6 mg/kg
- 0,9 mg/kg máximo 90 mg
- 1 mg/kg sem máximo
- Bolus 25 mg fixo
- 2 mg/kg
✅ B — Dose clássica: 0,9 mg/kg máximo 90 mg, 10% bolus.
- Imediatamente
- 6h
- 12h
- Após 24h e imagem de controle
- Nunca
✅ D — Evita sangramento pós-trombólise.
- Hipoglicemia
- Hipocalcemia crônica
- Hiperuricemia
- Hipotireoidismo subclínico
- Anemia ferropriva leve
✅ A — Glicemia capilar é parte do ABC do AVC.
- Parestesia leve isolada
- Desvio conjugado do olhar e hemiplegia
- Dor lombar
- Prurido
- Tosse
✅ B — Déficit cortical grave sugere OGV.
- Obrigatório
- Não recomendado por risco de hipoglicemia
- Indicado só em todos trombolisados
- Tratamento neuroprotetor
- Substitui reperfusão
✅ B — AHA/ASA 2026 não recomenda controle intensivo 80–130.
- Sem AVC
- AVC hemorrágico excluído com maior segurança, mas AVCi pode existir
- Contraindicação absoluta a trombólise
- Só enxaqueca
- Alta segura
✅ B — TC pode ser normal no AVCi hiperagudo.
- Alta
- Apenas AAS
- Avaliação urgente para EVT em selecionados
- Punção lombar antes de imagem vascular
- Dieta VO
✅ C — Oclusão basilar é emergência de alto risco.
- É sempre obrigatório
- Não é recomendado de rotina pela AHA/ASA 2026
- Substitui neuroimagem
- É indicado para todos por 7 dias
- Não tem risco
✅ B — Redução intensiva pode causar dano após EVT.
- Labirintite sempre
- Circulação posterior/basilar
- Hipotireoidismo
- Cistite
- Dengue sem neuroimagem
✅ B — Sinais de tronco/cerebelo exigem imagem vascular.
- Nada
- Triagem de disfagia
- AAS
- Manitol
- Benzodiazepínico
✅ B — Disfagia aumenta broncoaspiração.
- Minutos apenas
- 2–5 dias
- 6 meses
- Só na alta
- Nunca
✅ B — Pode deteriorar após estabilização inicial.
- Rotina para todos na porta
- Não é rotina; timing individualizado
- Substitui trombólise
- Sempre nas primeiras 2h
- Indicada se NIHSS alto
✅ B — Risco de transformação hemorrágica.
- Avaliar infarto em ACM
- Diagnosticar pneumonia
- Medir delirium
- Dosear alteplase
- Classificar FA
✅ A — Avalia sinais precoces em território ACM.
- Risco hemorrágico/micótico
- Hipoglicemia
- Hipocalemia
- Bradicardia
- Não tem relação
✅ A — Risco de sangramento intracraniano.
- Porta-agulha ≤60 min em ≥85%
- Alta em 2h
- TC em 7 dias
- AAS em todo trombolisado imediato
- PA <100
✅ A — Meta de melhoria de qualidade.
- Bolus único
- Via oral
- Não precisar imagem
- Sem risco hemorrágico
- Ser antídoto
✅ A — Bolus facilita fluxo.
- Trombólise obrigatória
- DAPT/conduta antitrombótica conforme protocolo
- Intubação
- Craniectomia
- Manitol
✅ B — Benefício de trombólise não demonstrado em não incapacitante.
- Acelerar infusão
- Parar infusão e TC urgente
- Dar AAS
- Alta
- Dieta
✅ B — Suspeitar hemorragia.
- Preferido
- Evitado em geral
- Usado para edema
- Misturado com alteplase
- Indiferente
✅ B — Pode piorar edema.
- Microangiopatia lacunar sempre
- Oclusão de grande vaso selecionada
- Hipoglicemia
- Delirium
- Pneumonia
✅ B — EVT recanaliza vasos ocluídos.
- Telemetria/Holter conforme caso
- Ignorar
- AAS apenas sempre
- Antibiótico
- Manitol
✅ A — Busca etiológica muda prevenção.
- Hidrocefalia/compressão de tronco
- Asma
- Pancreatite
- Fratura
- Hipertireoidismo
✅ A — Fossa posterior é espaço restrito.
- Não indicado como neuroproteção
- Obrigatório
- Substitui trombólise
- Contraindicado em todo caso
- Sempre 15 L/min
✅ A — Evitar hiperóxia desnecessária.
- Pode salvar vida em selecionados
- É inútil sempre
- É feita em todo AVC
- Substitui TC
- Exige alta imediata
✅ A — Selecionar por idade, extensão, tempo, prognóstico e valores.
- AIT alto risco/AVC menor não cardioembólico selecionado
- AVC extenso cardioembólico sempre
- AVCh
- Coma
- Pós-alteplase imediato
✅ A — Uso por curto prazo em cenário selecionado.
- Hora LKW, NIHSS, imagem, anticoagulantes
- Apenas idade
- Peso estimado sem imagem
- Plano alimentar
- História familiar extensa
✅ A — Comunicação objetiva acelera EVT.
- Herniação
- Alta
- Depressão
- Labirintite
- Cistite
✅ A — Emergência neurocrítica.
- Cuidado coordenado e protocolos
- Apenas prédio bonito
- Isolamento total
- Suspender reabilitação
- Evitar enfermagem
✅ A — Organização multiprofissional salva.
23. Curiosidades nerds
- A penumbra é uma corrida entre colaterais e metabolismo.
- A circulação posterior é o chefão invisível das provas e plantões.
- A angioTC transformou o AVC em doença de fluxo.
- Trombectomia é uma das maiores revoluções da neurologia moderna.
- Unidade de AVC é tecnologia organizacional.
- Disfagia conecta neurologia e pneumonia.
- PA alta pode sangrar, PA baixa pode infartar.
- O relógio começa no último visto bem.
- O futuro pode ter ambulância com biomarcador + IA.
- O internista salva o segundo AVC.
24. Insights
- Pense em AVC como síndrome vascular tempo-dependente.
- A primeira vitória é remover atrasos evitáveis.
- A segunda é prevenir lesão secundária.
- A terceira é impedir o próximo AVC.
- Boa decisão é paralela, não sequencial.
- UTI protege cérebro e corpo.
- Interna descobre causa e previne recorrência.
- Imagem vira decisão.
- Família precisa entender incertezas cedo.
- O hub deve ensinar fluxo e raciocínio.
25. Perspectivas futuras
- IA em neuroimagem para detectar OGV, ASPECTS e hemorragia em tempo real — subtema: validação local e falso positivo.
- Biomarcadores pré-hospitalares para diferenciar AVCi/AVCh/OGV — subtema: triagem de destino hospitalar.
- Unidades móveis de AVC em redes urbanas — subtema: custo-efetividade no Brasil.
- Trombectomia em oclusões médias/distais — subtema: seleção por déficit e segurança.
- Trombectomia em core grande — subtema: quais pacientes têm benefício líquido.
- Neuroproteção combinada com reperfusão — subtema: janela biológica além do vaso.
- Reabilitação digital e telereabilitação — subtema: adesão e funcionalidade pós-alta.
- Monitorização contínua de FA por wearables — subtema: prevenção secundária personalizada.
- Protocolos de equidade em AVC — subtema: interior, transporte e acesso a EVT.
- Grafo clínico interativo — subtema: conectar sintomas, decisão, prescrição e revisão TEMI.
26. Aprofundamento
- AHA/ASA 2026 AIS Guideline — https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/STR.0000000000000513
- Top Things to Know AHA 2026 — https://professional.heart.org/en/science-news/2026-guideline-for-the-early-management-of-patients-with-acute-ischemic-stroke/top-things-to-know
- Target: Stroke Phase III — https://www.heart.org/en/professional/quality-improvement/target-stroke/introducing-target-stroke-phase-iii
- SBAVC Diretrizes — https://avc.org.br/publicacoes-e-artigos/diretrizes-e-guidelines/
- PCDT Brasil AVCi Agudo — https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2021/20211230_relatorio_recomendacao_avci_agudo_cp110.pdf
- ESO IV thrombolysis — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33817340/
- ESO/ESMINT thrombectomy — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30808653/
- WHO Stroke Fact Sheet — https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/stroke
- ClinicalTrials.gov stroke — https://clinicaltrials.gov/search?cond=Stroke
- PubMed stroke acute ischemic — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/?term=acute+ischemic+stroke+thrombolysis+thrombectomy
27. Assuntos correlacionados
- Hipertensão na emergência aplicada ao AVC — conexão com PA pré/pós-reperfusão.
- Fibrilação atrial e anticoagulação — prevenção secundária e timing de DOAC.
- Hemorragia intracraniana — diferenciação inicial, reversão e neuro UTI.
- Delirium em UTI — prevenção e manejo pós-AVC.
- Disfagia, broncoaspiração e pneumonia — segurança alimentar e bundle respiratório.
28. Dúvidas de pesquisa
- Qual o melhor limiar de core para EVT em diferentes idades e colaterais?
- EVT em MeVO/DMVO melhora funcionalidade com segurança?
- Tenecteplase deve substituir alteplase em todos os cenários ou apenas em subgrupos?
- Qual a melhor PA pós-reperfusão por perfil de colateral/recanalização?
- Biomarcadores pré-hospitalares são confiáveis para decisão de destino?
- Como implementar telestroke em regiões de baixa densidade tecnológica?
- Qual timing ideal de DOAC pós-AVC cardioembólico por tamanho do infarto?
- Neuroproteção finalmente terá benefício quando acoplada à reperfusão?
- Quais bundles reduzem delirium e pneumonia pós-AVC?
- Como personalizar reabilitação com IA e sensores?
29. Pesquisas em andamento
- Tenecteplase versus alteplase e diferentes doses/subgrupos em AIS.
- Trombectomia em core grande e seleção por imagem avançada.
- Trombectomia em oclusões médias/distais — MeVO/DMVO.
- Neuroproteção farmacológica, estimulação magnética/transcraniana e estratégias anti-inflamatórias/complemento.
- Biomarcadores e triagem pré-hospitalar para OGV/hemorragia.
- Reabilitação precoce, telereabilitação e dispositivos digitais pós-AVC.
30. Referências
- AHA_ASA_2026_AIS — 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. American Heart Association / American Stroke Association, Stroke, 2026.
- AHA_TOP_2026 — Top Things to Know: 2026 Guideline for the Early Management of Patients With AIS. Professional Heart Daily / AHA.
- TARGET_STROKE_PHASE_III — Target: Stroke Phase III. American Heart Association.
- PCDT_BRASIL_AVCI_2021 — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo. CONITEC / Ministério da Saúde, Brasil, 2021.
- SBAVC_DIRETRIZES — Diretrizes e Guidelines. Sociedade Brasileira de AVC.
- ESO_IVT_2021 — European Stroke Organisation guidelines on intravenous thrombolysis for acute ischaemic stroke. European Stroke Organisation, 2021.
- ESO_ESMINT_MT — ESO–ESMINT Guidelines on Mechanical Thrombectomy in Acute Ischemic Stroke. European Stroke Organisation / ESMINT.
- WHO_STROKE_2025 — Stroke fact sheet. World Health Organization, 2025.
31. Mensagem final
Na UTI: proteja a penumbra e evite lesão secundária. Na emergência: TC rápida, decisão paralela, reperfusão sem atraso. Na vida: organização salva função cerebral.





