SAPS 3 · Estimativa de Mortalidade Hospitalar na Admissão
Calculadora completa do Simplified Acute Physiology Score 3 (Metnitz/Moreno, Intensive Care Med 2005). 20 variáveis em 3 caixas, com janela de coleta de ±1 hora da admissão na UTI. Fornece estimativa de mortalidade pela equação geral e pela equação customizada para América Central/Sul (CSA) — incluindo nota de calibração para UTIs brasileiras contemporâneas.
📚 Equações, calibração e referências
Equação geral (Metnitz/Moreno 2005):
P(óbito) = e^logit / (1 + e^logit)
Equação customizada América Central/Sul (CSA) — Brasil incluso:
P(óbito) = e^logit / (1 + e^logit)
⚠️ Calibração no Brasil contemporâneo: Soares M et al. (Crit Care 2017, validação externa em coorte brasileira) mostrou que a equação CSA superestima a mortalidade em UTIs brasileiras modernas, com SMR ≈ 0,75 (IC 0,74–0,77), enquanto a equação global (SE) teve SMR ≈ 1,00 (IC 0,98–1,02), sendo mais bem calibrada. Por isso esta calculadora exibe ambas as estimativas — a global tende a refletir melhor o desfecho atual, e a CSA mostra o valor histórico da literatura latino-americana original. Recomenda-se interpretar a faixa entre os dois valores.
🔬 Curiosidades nerd & limitações
- Construção do modelo: coorte multinacional de 19.577 pacientes, 307 UTIs em 14 países (out–dez 2002). Discriminação AUROC = 0,848.
- Janela única de ±1h: diferente de APACHE II/IV (24h), reduz viés de "lead-time" e captura gravidade real à admissão.
- Variáveis "subagudas" (Box I) contribuem ~50% da capacidade prognóstica — Moreno mostrou que comorbidade + idade são tão importantes quanto fisiologia aguda.
- Pontuação NÃO é APACHE: use SAPS 3 para benchmarking de admissão, não para gravidade evolutiva (use SOFA diário para isso).
- Pegadinhas TEMI: (1) SAPS 3 é coletado em até 1h pós-admissão — APACHE II em 24h. (2) Hipotermia <35°C não pontua na temperatura. (3) Cirurgia eletiva e transplante reduzem o escore (-11 cada). (4) Necessita PaO₂ e FiO₂ — se só tiver SatO₂, estime pela tabela ou registre como missing.
- Limitações: não validado para queimados, cardiopatas pós-CRVM eletivos isolados, pediatria, obstétrico.
- Comparação no Brasil: em coorte de Soares 2017 (n=48.816, 78 UTIs), SAPS 3-SE teve melhor calibração que MPM₀-III (subestimava) e que SAPS 3-CSA (superestimava).
📄 Referências completas
- Moreno RP, Metnitz PG, Almeida E, et al. SAPS 3—From evaluation of the patient to evaluation of the intensive care unit. Part 2: Development of a prognostic model for hospital mortality at ICU admission. Intensive Care Med. 2005;31(10):1345-1355. DOI: 10.1007/s00134-005-2763-5. PubMed · PMC
- Metnitz PG, Moreno RP, Almeida E, et al. SAPS 3—Part 1: Objectives, methods and cohort description. Intensive Care Med. 2005;31(10):1336-1344.
- Soares M et al. External validation of SAPS 3 and MPM₀-III scores in 48.816 patients from 78 Brazilian ICUs. Ann Intensive Care 2017. PubMed
- Silva Junior JM et al. Aplicabilidade do escore SAPS 3 em hospital brasileiro. Rev Bras Ter Intensiva 2009;21(1):1-8.
- Tabela oficial atualizada: SAPS 3 — Intensive Care Med 2005 (PDF oficial)
🧠 Sugestões de aprofundamento
- 📊 Infográfico das 20 variáveis e seus pesos (PNG/PDF).
- 📋 Checklist em Markdown/Word para coleta beira-leito em < 1h.
- 🔢 Comparativo SAPS 3 × APACHE II × APACHE IV × SOFA × MPM₀-III.
- 🇧🇷 Mini-review da literatura brasileira de calibração (Silva Jr, Soares, Nassar Jr).
- 🎯 Banco de 20 questões TEMI sobre SAPS 3 (pegadinhas + alternativas comentadas).
- 📈 Versão offline (PWA) com export PDF do laudo de admissão.