Multirresistência
Não suscetibilidade adquirida a pelo menos um agente em três ou mais categorias de antimicrobianos aplicáveis à espécie.
Medicina intensiva · Microbiologia · Stewardship
MDR, XDR e PDR descrevem o perfil de resistência. A escolha terapêutica exige integrar o foco, a gravidade, a exposição ao antimicrobiano e o resultado do laboratório.
Entenda o rótulo antes de agir
Não suscetibilidade adquirida a pelo menos um agente em três ou mais categorias de antimicrobianos aplicáveis à espécie.
Não suscetibilidade a pelo menos um agente em todas as categorias, exceto uma ou duas; a atividade remanescente fica restrita a essas categorias.
Não suscetibilidade a todos os agentes de todas as categorias aplicáveis. Um painel rotineiro limitado não basta para confirmar PDR.
Definições históricas de resistência adquirida: Magiorakos et al. · confirmação de PDR: critério laboratorial europeu. Excluir resistência intrínseca e confirmar painel, método e versão com a microbiologia. As definições de tuberculose são diferentes.
Em EUCAST/BrCAST, “I” significa suscetível com exposição aumentada. Não agrupe automaticamente I e R ao aplicar definições antigas de “não suscetível”. Ajuste a interpretação ao sistema e à versão utilizados pelo laboratório. Fonte: EUCAST.
Tratamento dirigido · Gram-negativos
Mapa conciso para infecções invasivas; confirme sensibilidade e sítio. A IDSA 2026 reflete o contexto dos EUA; acesso e indicações brasileiras devem ser conferidos.
Opções: meropenem-vaborbactam, ceftazidima-avibactam ou imipenem-cilastatina-relebactam.
Aztreonam-avibactam ou cefiderocol. Se indisponível o primeiro, ceftazidima-avibactam + aztreonam. Ceftazidima-avibactam isolada não cobre NDM.
Ceftazidima-avibactam é preferida; não extrapole atividade de vaborbactam ou relebactam para OXA-48-like.
Extraurinária: ceftolozana-tazobactam, ceftazidima-avibactam ou imipenem-relebactam; na pneumonia, preferência por ceftolozana-tazobactam. MBL direciona para cefiderocol.
Sulbactam-durlobactam + carbapenêmico. Ampicilina-sulbactam em alta dose + segundo agente: ponte até o regime preferido. NDM ou resistência ao sulbactam-durlobactam exigem estratégia especializada.
Nenhum cenário corresponde à busca. Limpe os filtros para ver todos.
Duração segue síndrome, resposta e controle do foco; MDR isoladamente não justifica prolongá-la. Combinação rotineira após confirmar β-lactâmico ativo não é recomendada para CRE/Pseudomonas; CRAB tem estratégia própria. IDSA 2026.
Referência adulta · Via intravenosa
Função renal e hepática preservadas. Doses da associação discriminam os componentes. Esta tabela não calcula ajuste renal, diálise, CRRT ou ECMO e não seleciona uma prescrição.
Confirme indicação, espécie/CIM, peso, alergias, rim atual e sua trajetória, hiperfiltração, compatibilidade, estabilidade e protocolo local com infectologia/farmácia. As bulas citadas são dos EUA; registro, disponibilidade e indicações ANVISA podem diferir. Infusões otimizadas da IDSA podem diferir da bula.
| Fármaco / contexto | Dose IV e intervalo | Infusão e pontos de conferência |
|---|---|---|
| Ceftazidima-avibactamKPC / OXA-48-like / Pseudomonas suscetível | 2,5 g a cada 8 h 2 g ceftazidima + 0,5 g avibactam | 3 h pela IDSA; bula: 2 h. Bula: CrCl >50 mL/min; ajustar se CrCl ≤50 mL/min. Intra-abdominal: conferir cobertura anaeróbia. |
| Meropenem-vaborbactamKPC suscetível | 4 g a cada 8 h 2 g meropenem + 2 g vaborbactam | 3 h. Bula: eGFR ≥50 mL/min/1,73 m²; ajustar abaixo desse limite. eGFR indexada e CrCl não são medidas intercambiáveis. Indicação FDA: ITU complicada/pielonefrite em adultos; outras síndromes invasivas nesta síntese seguem a IDSA e podem constituir uso fora de bula. |
| Imipenem-cilastatina-relebactamKPC / Pseudomonas suscetível | 1,25 g a cada 6 h 500 mg + 500 mg + 250 mg | 30 min. Bula: CrCl ≥90 mL/min; ajustar abaixo desse limite. Inclui cilastatina; não confundir a dose total com imipenem isolado. |
| Aztreonam-avibactamEnterobacterales NDM / MBL suscetível | Ataque: 2,67 g uma vez (2 + 0,67 g). Manutenção: 2 g a cada 6 h (1,5 + 0,5 g). A primeira manutenção começa 6 h após o início do ataque; os intervalos são contados de início a início da infusão. | Ataque e manutenção em 3 h. Bula: CrCl >50 mL/min; ajustar se CrCl ≤50 mL/min. Indicação FDA: intra-abdominal complicada em adultos com alternativas limitadas ou ausentes, com metronidazol; outras síndromes exigem avaliação de uso fora da bula. |
| Ceftazidima-avibactam + aztreonamAlternativa NDM se produto fixo indisponível | 2,5 g CAZ-AVI a cada 8 h + 2 g aztreonam a cada 8 h | Ambos em 3 h, simultâneos, conforme IDSA; confirmar compatibilidade e acesso venoso com farmácia. Monitorar transaminases. Ajustar cada fármaco separadamente: CAZ-AVI e aztreonam têm regras renais próprias. Não equivale ao produto fixo aztreonam-avibactam. |
| CefiderocolNDM / MBL conforme sensibilidade; CRAB requer estratégia combinada | 2 g a cada 8 h | 3 h. Bula: CrCl 60–119 mL/min. Se ≥120: 2 g a cada 6 h, em 3 h; abaixo de 60/diálise/CRRT: ajuste específico. Alerta da bula: maior mortalidade por todas as causas foi observada em um estudo de infecções por Gram-negativos resistentes a carbapenêmicos; a causa não foi estabelecida. Monitorar resposta clínica e seguir o papel por mecanismo definido pela IDSA; no CRAB, ver questão 5.3. |
| Ceftolozana-tazobactamPseudomonas DTR extraurinário / pneumonia | 3 g a cada 8 h 2 g ceftolozana + 1 g tazobactam | 3 h pela IDSA; bula pneumonia: 1 h. CrCl >50 mL/min; ajustar se ≤50 mL/min. Bula de ITU/intra-abdominal usa outra dose: 1,5 g; não misture os contextos. |
| Sulbactam-durlobactamCRAB invasivo, associado a carbapenêmico | 2 g a cada 6 h 1 g sulbactam + 1 g durlobactam | 3 h. Bula: CrCl 45–129 mL/min. Se ≥130: a cada 4 h; abaixo de 45: ajuste. Indicação FDA: pneumonia hospitalar/VM por complexo A. baumannii-calcoaceticus. |
| Ampicilina-sulbactam em alta dosePonte no CRAB invasivo + segundo agente | 9 g da associação a cada 8 h 6 g ampicilina + 3 g sulbactam por dose | 4 h pela IDSA. Total: 27 g/dia da associação = 9 g/dia de sulbactam. Alta dose fora da bula FDA, apoiada pela IDSA para ponte no CRAB. A bula habitual limita sulbactam a 4 g/dia; este regime de alta dose exige protocolo renal específico com infectologia/farmácia. Não é 9 g/dia da associação. |
| MeropenemReferência de dose; componente da estratégia CRAB com sulbactam-durlobactam | 1–2 g a cada 8 h | 3 h quando viável, conforme IDSA. Individualizar faixa; 2 g é favorecida em obesidade, SNC, ECMO ou CrCl ≥130 mL/min. Bula: ajustar se CrCl ≤50 mL/min. A dose/infusão otimizada pode diferir da bula. Não transforma carbapenêmico resistente em monoterapia ativa. |
Nenhum esquema corresponde à busca. Limpe os filtros para ver todos.
A tabela apresenta doses de referência dos fármacos; não constitui uma ordem para administrá-los juntos. Polimixinas e aminoglicosídeos exigem protocolos próprios, monitorização e individualização; não são atalhos universais para o rótulo MDR.
Uma decisão com prazo de revisão
Roteiro de raciocínio para discussão com a equipe. Gravidade, amostra, foco, exposição e microbiologia precisam ser revistos em conjunto.
Na instabilidade, priorize tratamento oportuno e controle do foco. Escolha empírica depende da síndrome, microbiologia anterior e antibiograma institucional. Registre a hipótese e a revisão prevista.
Se o antimicrobiano inicial não tiver atividade ou houver deterioração, confira foco não controlado, diagnóstico alternativo, dose/infusão e nova cultura. Ajuste para uma opção com atividade sustentada por espécie, mecanismo e sensibilidade; obtenha apoio especializado.
Com microbiologia e evolução disponíveis, suspenda tratamento sem indicação, estreite o espectro e retire duplicidades desnecessárias. Reavalie dose, via e término. Falha clínica exige nova investigação, não ampliação automática por calendário.
Síntese operacional apoiada em ANVISA · PGA e CDC · revisão de antimicrobianos; a seleção dirigida dos agentes está no mapa por mecanismo. Não existe sequência universal de antibióticos aplicável a todo rótulo MDR.
Protocolo de conferência · Stewardship
Checklist de estudo e conferência: marque apenas itens revisados. O progresso permanece neste navegador; reinicie a cada nova revisão. Não insira dados de pacientes e não use estas marcações como prontuário.
Fontes: CDC · time-out 48–72h e ANVISA · gerenciamento de antimicrobianos. A revisão programada complementa a avaliação diária e a auditoria do programa institucional.
Rastreabilidade editorial
Estado: em revisão médica; sem homologação clínica registrada. Doses, indicações e fontes passaram por conferência documental assistida por IA em 18/10/2026; isso não equivale a revisão médica humana. Antes da ativação clínica, validar doses e indicações com infectologia/farmácia, protocolo institucional e disponibilidade/registro brasileiros. Não há prescrição individual nem cálculo de dose renal.
Fontes primárias · acesso em 18/10/2026
Links abrem as diretrizes, definições e bulas completas. Uma síntese não contém todas as contraindicações, interações e limitações de cada medicamento.